Editorial

Privatizar o socorro

Permitiu-se a privatização do transporte de doentes em Portugal, alvitra-se, com muita polémica à mistura, a possibilidade da privatização do pré-hospitalar e, vendo bem as coisas, só falta também privatizar o socorro em geral. Disparate, é certo, mas de que se vai falando.
Tudo isto são desmandos, abusos da confiança dos bombeiros e das suas associações e com decisões mal tomadas, de forma leviana, por quem esteve mal no seu papel e consciente ou inconscientemente lesou os bombeiros e os portugueses, em geral.

Privatizar o socorro

A janela escancarada dos números

Poder-se-ia dizer que é um assunto pouco falado e exposto com a crueza e o rigor que exige. Ao contrário, a situação deficitária crónica das associações de bombeiros é mais que conhecida, mais que identificada, mais que medida e mais do que prometida corrigir.

Ainda recentemente publicámos nesta Newsletter um quadro bem explicativo do INE em que se retrata essa realidade, crónica e anacrónica. Isso acontece, mais recentemente, pelo menos há mais de uma década. E todas as promessas feitas por sucessivos Governos para a corrigir saíram goradas e o défice não parou de crescer.

A janela escancarada dos números

Que culpa temos nós

Os atrasos nas transferências, em muitos casos escandalosos, o incumprimento do acordado, quer em termos pecuniários como noutros, levam a concluir, como é comum dizer-se, que o Estado não é pessoa de bem, exige, mas é relapso no sentido contrário.

Que culpa temos nós

Como se vai chamar no futuro

Dirão uns que é questão de somenos importância e o que importa é que produza mudanças. Estamos em crer que não é bem assim. Ditam as regras da publicidade que o nome do produto deve, ou tem mesmo de estar, associado à sua função.

Como se vai chamar no futuro

Não é possível adiar

Não é mera impaciência, é pressa, porque se faz tarde, há muito. Não é possível adiar as mudanças no universo dos bombeiros, nomeadamente, em relação à ANEPC. Está em causa muita coisa, questões de fundos identificadas também há muito.

Não é possível adiar

A razão perversa da existência

É comum ouvirmos questionar a confiança que o Estado merece aos cidadãos, nomeadamente quando as tomadas de posição e as decisões em nome dele são expressas pelos seus agentes, não eleitos, numa base suscetível de dúvida sobre a legalidade e a legitimidade democrática para tal.

A razão perversa da existência

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