O universo da proteção civil em Portugal, como sabemos, ao longo dos tempos, tem sofrido vários tratos de polé, de várias origens, por vários motivos. Essa expressão popular figurada (trato de polé) tem origem nos tempos inquisitoriais. Trata-se de uma situação verídica, a polé, um moitão seguro do teto onde era suspensa a vítima com pesos nos pés. Uma posição de “desconforto” evidente através da qual, porventura, eram obtidas declarações e informações “voluntárias” e “sinceras”.
Ora assim estamos nós com o universo da proteção civil. Um universo complexo, alargado, valorativo e aditivo. São qualidades reconhecidas e apontadas ao sistema.
Os tratos de polé, entretanto, foram sendo aplicados ao sistema ao longo da história, não apenas por meras alterações à nomenclatura, mas também na tradução e materialização práticas, interpares, da sua complexidade, da sua dimensão, do seu valor e da sua capacidade de acrescentar, melhorar e preservar as suas caraterísticas.
Recentemente, um antigo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Duarte Caldeira, veio lembrar com oportunidade que tem faltado humildade à Proteção Civil.
As sucessivas mudanças, interações, algumas intestinas e de raiz política, que têm ocorrido no seio da proteção civil têm pecado precisamente pela falta dela. Essa postura afetou e até inquinou o relacionamento interpares com sucessivas investidas que fragilizaram o próprio sistema.
A falta de humildade identificada baseia-se muitas vezes nas posturas de muitos que, possuídos por certezas e tentados a exercer poderes sem escrutínio, deturpam, usurpam e inquinam as regras.
