O albergue espanhol

Perante a anunciada mudança que vem a caminho para a proteção civil, como prometido, dir-se-á que não valerá agora a pena lembrar o passado nem ir ao baú buscar episódios que possam afetar a mesma mudança. Discordamos totalmente já que o atual estado das coisas, que implicam a mudança cristalina que se anuncia, fica a dever-se precisamente ao passado. Por um lado, importa que não se repitam erros grosseiros do passado. Por outro lado, importa ainda lembrar que alguns deles foram encapotados no início e só depois assumidos depois com inevitabilidade e atrevimento na sua prossecução.

O dito “albergue espanhol”, bem conhecido, é curiosamente uma expressão que vem do francês, “auberge espagnole”, e que se aplica a muitas das situações e cenas vividas ao longo dos anos em que o SNB se transformou em SNBPC, ANPC e depois ANEPC. As siglas, em si, testemunham bem as confusões criadas em torno do que elas passaram a significar num caldeirão de individualismos pessoais e institucionais onde os bombeiros tem saído sucessivamente escaldados. Às siglas foram-se associando as abordagens que, na prática, foram delimitando a influência, o peso e a importância dos bombeiros no contexto e no sistema.

Não desejávamos fazer qualquer comparação com o que quer que seja, e julgá-lo até seria de mau tom fazê-lo recorrendo à figura do “albergue espanhol”. Porém, a realidade vivida ao longo dos anos que antecederam a mudança que agora se anuncia figurativamente aproximou-se muitas vezes do sentido dessa expressão.

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