Que culpa temos nós

Que culpa têm, a Liga dos Bombeiros Portugueses, as associações, os corpos de bombeiros, os dirigentes, os bombeiros e os próprios associados das associações de que o Estado e as suas entidades assinem compromissos que depois não honram? Os atrasos nas transferências, em muitos casos escandalosos, o incumprimento do acordado, quer em termos pecuniários como noutros, levam a concluir, como é comum dizer-se, que o Estado não é pessoa de bem, exige, mas é relapso no sentido contrário.

Se formos a ver, não será só o Estado incapaz de cumprir as suas obrigações que está em causa, mas um processo alargado e gangrenado existente entre ele, os cidadãos e as suas instituições, que faz perigar o regime de respeito, consideração e de confiança que deve imperar entre todos. Há quem lhe chame democracia.

Neste momento, os Bombeiros estão a meio da ponte, crédulos com as mudanças prometidas, mas, também, céticos perante o que já deveria ter mudado e não mudou.

Os Bombeiros estão à beira de uma passagem de nível ferroviária sem guarda que, antes de tudo, recomenda que se “pare, escute e olhe”. Trata-se de uma advertência fundamental para analisar o que se passa no universo dos bombeiros e da proteção civil, para estudar o contexto em que ocorre e, ainda, se possa ter uma posição clara sobre o que então fazer: correr o risco de se manter distraído, jogar na sorte ou correr o risco, ou não, de ser trucidado.

E essa eventual fatalidade pode ocorrer em circunstâncias conhecidas, a saber, a falência das associações, a sua incapacidade para honrar obrigações legais em tempo quando estão em causa atrasos na transferência de valores que lhes são devidos e, também, a disponibilidade dos próprios dirigentes e comandos para pactuarem com a arbitrariedade vigente e as consequências, até pessoais, que daí podem advir para o seu bem-estar e o seu próprio património. Sobre isto sejamos claros e diretos: não podemos continuar a tolerar com evasivas, com apelos gastos e reiterados à paciência que nos são feitos, chamamento à solidariedade interinstitucional, quando o que está em causa não se dilui na paciência ou em subterfúgios. Tudo o que diz respeito aos Bombeiros é factual, analisável e mensurável em todos os seus aspetos. Só falta cumprir.

E que culpa temos nós, urge perguntar.

 

 

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