O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses saudou recentemente a anunciada inclusão de investimento em viaturas, equipamentos e quartéis no programa PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência). Mas António Nunes, à partida, ressalvou que o investimento saudado, contudo, é insuficiente perante as necessidades.
“Gostaríamos de ver essas verbas reforçadas e que fossem afetas à renovação do parque de viaturas dos corpos de bombeiros, dos quartéis, dos materiais e dos equipamentos” afirmou o presidente da LBP.
Nas últimas décadas o financiamento estatal, e a sua ausência em particular, a viaturas e a quartéis de bombeiros foi errático, irregular, injusto e pouco claro. Uma infinidade de procedimentos, repetidos a cada ano ou a cada programa comunitário, com detalhes e regras diferentes, estabeleceu a confusão, privilegiou uns e excluiu outros liminarmente.
Há relatos de candidaturas de associações de bombeiros a apoios comunitários que tendo vencido as sucessivas etapas que terminaram com respostas desprovidas da mínima lógica e que de forma grosseira atestavam que já não havia verba para distribuir.
Um dia a história desses procedimentos e desses ditos concursos comunitários porventura será feita e, por certo, ficarão à vista os atropelos, os desrespeitos, as injustiças até, que então se cometeram para com os bombeiros.
É sabido também que as verbas comunitárias, supostamente destinadas aos bombeiros, terão sido uma boa fonte de financiamento do próprio Estado e das suas estruturas.
Todo este passado presente ou recente lembra-nos um outro passado longínquo em que solidamente se projetava o investimento nos bombeiros com base no Orçamento de Estado. Tratava-se do Programa de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC).
Há muitos saudosos do PIDDAC, e com razão. Então, a própria LBP era chamada a pronunciar-se e a fazer lóbi pelos bombeiros. Havia regras claras, negociação prévia com o Governo para a calendarização e priorização das verbas e dos projetos. Todos sabíamos o que se passava. Acreditamos que, porventura com outra roupagem, estarão a chegar novos tempos.
