A razão perversa da existência

É comum ouvirmos questionar a confiança que o Estado merece aos cidadãos, nomeadamente quando as tomadas de posição e as decisões em nome dele são expressas pelos seus agentes, não eleitos, numa base suscetível de dúvida sobre a legalidade e a legitimidade democrática para tal.

Este é um assunto recorrente quando se fala do Estado e da influência que ele exerce sobre os cidadãos.

Há quem goste do Estado, há quem não goste mesmo nada dele e, ainda assim, há quem defenda, pelo menos, melhor e menor Estado.

Entre outras funções, entende-se que cabe ao Estado responsabilizar-se pela interação com a sociedade, a disponibilização de meios e apoios e garantir a sua execução com equidade e transparência.

Todas as entidades e organismos do Estado foram alguma vez criados por alguma razão. E perpetuam-se também muitas vezes por razões e em circunstâncias difíceis de explicar e justificar. Para quê manter-se a existência de alguns deles quando as condições precisas que levaram à sua criação se esgotaram ou derivaram? Então, será lícito questionarmo-nos sobre a razão da sua existência, tantas vezes perversa em função das consequências que acarreta, até em custos, e a inutilidade de tudo isso.

Invariavelmente, com a perversidade da sua razão para existir em qualquer caso, o Estado e os seus organismos, temem sempre ser avaliados por critérios que podem pôr em causa a sua existência.

Na origem da criação de organismos estatais apontam-se razões e missões identificadas precisamente nas suas designações e siglas. E não é por acaso que quando ocorre qualquer mudança nisso ficam espelhado também as mudanças verificadas no seu interior, nomeadamente o peso específico e a influência, ou não, que determinados setores, perdem, ganham ou simplesmente desaparecem. É para isso que a designação e a sigla existem.

Vejam-se as sucessivas alterações, sempre mal explicadas, às siglas SNB, SNBPC, ANPC e depois ANEPC. Essa evolução, à vista, atesta a desvalorização que os Bombeiros tiveram nas sucessivas siglas até, pura e simplesmente, desaparecerem delas. Isso terá tido razões nunca explicadas, mas com reflexos identificados. Acreditamos que com as mudanças que se anunciam tudo isso virá a lume.

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