Ver as coisas ao contrário

O carácter voluntário e humanitário das nossas associações e a sua manutenção tem dado azo, ao longo dos tempos, a interpretações e versões distorcidas da realidade. Haverá, porventura, culpas sobre isso. E o resultado final, invariavelmente, nem sempre é facilitador da boa compreensão do fenómeno. Mas não é por falta de iniciativa das associações em explicar o fenómeno.

Em abono da verdade, as contas das associações, mais que auditadas por tudo e todos, são claras sobre tudo o que se passa lá dentro. Mas, mesmo assim, nem sempre chegam para explicar a leigos a lógica e os princípios demonstrativos de como é possível gerir entidades insolventes, falidas, mas, mesmo assim, operacionais 24 horas.

Só a realidade pode explicar aquilo que os manuais dirão não ser exequível ou mesmo impossível, mas que acontece. Uns dirão que é milagre. Outros dirão que é fruto do empenho dos seus responsáveis até ao limite e, muitas vezes também, com o sacrifício financeiro dos mesmos.

Para alguns, inclusive da parte do próprio Estado, quando facultam recursos às associações, parecem fazer crer que as estão a ajudar quando, na realidade, é o contrário, ou seja, ressarciam-nas por serviços prestados ao coletivo. São recursos que são devidos a quem faz os serviços, e muitas vezes abaixo do seu valor real e efetivo.

Esse imbróglio tem-se mantido, às vezes a partir do excesso de generosidade e bondade apontadas às próprias associações, sem linhas vermelhas, mas também do abuso instalado para com elas do Estado.

O Governo, ao preconizar com a proposta da Liga dos Bombeiros Portugueses a celebração de contratos-programa com as associações mais não está que a querer por cobro a tudo o que atrás se disse. Perdeu-se muito tempo no debate sobre isso, mais que o suficiente para demonstrar a urgência de um desfecho justo. Vamos agora lutar por ele.

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