Chamam-se Bombeiros e podem e devem identificar-se como uma força tranquila, porque resolvidos em termos de competência e convicção e porque serenos e eficazes na sua ação.
Uma força tranquila tão generosa, em termos de valores e princípios, como tão vulnerável, em termos da fragilidade e da especificidade para quem está no fim da linha e quando se esgotaram todas as outras soluções e meios.
Esta força tranquila tem história rica e diversa, um acumular de experiências que, sob uma matriz comum ancestral, se evidenciam em cada uma das histórias de cada associação e corpo de bombeiros.
Esta força tranquila é muito anterior à criação da Proteção Civil. Esta, porém, desde a sua fundação e ciente das potencialidades dos bombeiros sempre teve a tentação de os tratar como se de coisa sua se tratasse.
É uma questão antiga, como sabemos, sujeita a uma lógica utilitarista e, diga-se assim, interesseira da Proteção Civil. Uma postura explicável, é certo, mas nem assim compreensível e muito menos aceitável. Tem sido sempre assim como sabemos.
Como é sabido, são os bombeiros quem faz 97 por cento dos serviços de proteção civil. Em termos qualitativos e quantitativos os bombeiros são uma espécie de mão de obra barata para a Proteção Civil. E a evolução desse processo, ainda por cima, “conduziu hoje a que os bombeiros não são comandados por bombeiros, ou seja, os bombeiros hoje, a determinada altura, perdem a sua capacidade de comando para serem comandos pela Proteção Civil. Ao perpetuar-se esta situação, em momento algum esta subversão e anacronismo terão ganho de causa. Assim se compreende a decisão da Liga dos Bombeiros Portugueses de, com a legitimidade e razão que lhe assiste, ter constituído o Comando Nacional Operacional de Bombeiros.
Quem esteja de boa fé e com seriedade de princípios e intenções só poderá estar de acordo com a Liga dos Bombeiros Portugueses.
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