É uma situação que, de há muito, tem vindo a ser objeto de várias chamadas de atenção pela visão deturpada que causa à realidade.
Todos os anos é assinalado o arranque da disponibilidade dos bombeiros para o combate aos incêndios florestais. Durante os chamados meses de verão as associações e corpos de bombeiros organizam-se e desdobram-se no sentido de garantirem a sua resposta, este ano também reforçada financeiramente pelo Governo por proposta da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
No computo final, contudo, por muita visibilidade e níveis de dramatismo que tenha, o que é facto é que esse combate corresponde apenas a sete por cento da atividade dos bombeiros ao longo de um ano.
Vale a visibilidade, mas não tem valido a realidade, de muitas mais tarefas e missões, sociais, de prevenção, de apoio e socorro que mereceriam também ser por demais destacadas, pelo mérito em si e pelo significado que têm para a própria vida da comunidade.
É certo que os bombeiros não valem mais ou menos pela visibilidade da sua ação, mas seria mais justo e mais correto que todas as outras missões, igualmente de sobejo valor, tivessem também os seus “momentos de glória”. Ganhariam os bombeiros, pela justeza da situação, mas ganharia muito mais a própria sociedade que assim veria destacada e reconhecida a iniciativa que teve de criar as suas associações locais de bombeiros.

