Tudo para não correr bem

É voz corrente que o próximo DECIR tem tudo para não correr bem. Várias entidades e personalidades têm afinado pelo mesmo diapasão nas declarações sobre essa matéria.

Dirão uns que é mais uma demonstração do proverbial fatalismo pátrio. Dirão outros, que estão reunidas condições objetivas particularmente arriscadas para uma “época” difícil.

Poderemos estar perante “uma situação semelhante à dos anos mais perigosos”, conforme Xavier Viegas.

As razões para as preocupações demonstradas por muitos estão à vista, resultado, também, do atraso na remoção das árvores atingidas pelos temporais, na própria impossibilidade física imediata de o fazer em relação a todo o material combustível que daí resultou e na desobstrução de caminhos e aceiros fundamentais para a progressão dos bombeiros em caso de necessidade.

Acrescem a tudo isso as preocupações há muito apontadas e documentadas sucessivamente, nomeadamente pela Liga dos Bombeiros Portugueses, para os constrangimentos da organização e operacionalização da proteção civil. E que se poderão atenuar com a reforma anunciada pelo Governo para a estrutura da ANEPC.

O ótimo era que já tivesse ocorrido e, assim, produzir efeitos na coordenação das próximas intervenções. Não tendo sido possível fica para já anunciado.

Temos uma nova comissão independente da AR para a avaliação dos fogos, criada há oito meses e só agora completada.

Intelectualmente será abusivo dizer que as anteriores não serviram para nada. Mas, aparte o seu custo/benefício, fica a convicção que depois de relatórios extensos e intensos o problema não ficou resolvido.

 

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