Somam-se agressões

Dois bombeiros dos Voluntários de Valadares, fora da sua zona de intervenção, foram vítimas de agressões perpetradas em Gaia onde tinham sido chamados para prestar socorro. Este foi, infelizmente, mais um caso provocado pelo eventual atraso no socorro de que os agredidos não são culpados, mas de que são alvo por serem a face visível e a primeira linha da resposta.

O motivo do atraso é crónico, explicado pela possível indisponibilidade de outro meio para acorrer ao pedido de socorro. Mas perante a população que o aguarda a “culpa” é de quem chega tarde, logo dos bombeiros. Os bombeiros, pese embora todas as circunstâncias, acabam por ser as primeiras vítimas de um sistema que não funciona, ora pelo número crescente de pedidos de socorro, ora pela retenção das ambulâncias às portas dos hospitais, ora pela incapacidade própria de resposta depois de esgotados os meios humanos e viaturas.

É urgente e fundamental que se saia rapidamente deste círculo vicioso, por exemplo, com bombeiros de Lisboa, Sintra ou a Cascais chamados à Margem Sul do Tejo ou dos arredores do Porto a intervir naquela cidade e na vizinha cidade de Gaia. Estes e tantos outros casos são exemplos da falência de um sistema, ou já falta dele, que carece de intervenção urgente e concludente. A Liga dos Bombeiros Portugueses apresentou soluções concretas para o imediato e disponibilizou-se para propor outras para futuro.

O socorro pré-hospitalar como tem estado organizado há anos está esgotado, não corresponde às necessidades. E a responsabilidade que aí se possa verificar decorre da falta de capacidade do Estado de se reorganizar em moldes e que correspondam às novas necessidades. Esticar a corda tentando manter o sistema e o custo/benefício de que o Estado beneficia acabou. Os Bombeiros já o disseram. A LBP faz propostas contra o estado de “cegueira” do Estado.

Até lá, porque respondem sempre, seja em que circunstâncias for, os bombeiros vão continuar a ser as vítimas.

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