O tempo não espera por ninguém

A marcha do mundo é imparável e qualquer medida para atalhar ou desacelerar o seu curso estará sempre condenada ao fracasso.

O filósofo José Gil adverte-nos que “o medo instalou-se como atmosfera do nosso tempo, infiltra-se em tudo e molda a forma como vivemos e pensamos”.

O medo, na realidade, tem sido um obstáculo às mudanças. Estas são encaradas de diversas formas, mas muitas vezes com a dúvida de que, será que mais vale ficar como estamos, mesmo reconhecendo o que está mal, os prejuízos e os danos causados? E até o sentimento de que até nem se fala mais nisso?

Nos Bombeiros, na esmagadora maioria não se pensa assim. A nossa matriz, aliás, contraria tudo isso. E inclusive, também não mandam recados por ninguém, fazem-no diretamente mesmo que isso lhes acarrete amargos de boca frequentes.

É nesse ambiente de “medo” para alguns, mesmo no nosso seio, e atrevimento por parte da larguíssima maioria de nós, que se vão pensando, analisando e decidindo as mudanças.

No caso dos Bombeiros estão definidas as mudanças, que urgem e das quais depende a sua própria sustentabilidade. É ponto assente que, pese embora todo o debate que isso tem acarreto nos últimos meses e, nalguns casos, até anos, importa ter a coragem de enfrentar tudo para que a transformação ocorra.

A velha imagem camoniana do Velho do Restelo adequa-se perfeitamente aqui. Na prática todos beneficiarão das mudanças, mas alguns apenas por arrastamento, sem convicção, mas proveito.

Há matérias, seja os seguros, a tipificação, as carreiras e outras, que implicam vontade, convicção e determinação em operar as respetivas mudanças. A Liga dos Bombeiros Portugueses têm-se mantido firma e às claras na sua defesa. Um lamento profundo para aqueles que, não se querendo comprometer, mas atentos para tirar partido delas, encontrarão o momento para saíram de trás da cortina.

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