Levar ao pormenor o cumprimento das novas exigências das inspeções do INEM às ambulâncias das associações e corpos de bombeiros pode custar 10 mil euros por viatura. E se tivermos em conta a idade da viatura e o número de quilómetros percorridos por ela fácil será às direções e comandos decidirem pura e simplesmente encostá-la, diminuindo o número de viaturas de socorro disponíveis.
Pasme-se. O INEM será a única entidade pública que cria orientações retroativas. Ambulâncias inspecionadas e certificadas legalmente em devido tempo acabam por chumbar em novas inspeções porque as orientações entretanto dadas pelo INEM põem em causa as anteriores.
Questões de pormenor sem qualquer relevância técnica, como seja um centímetro a mais ou a menos na faixa refletora lateral da viatura, podem ser motivo de chumbo e de exclusão da viatura de prestar socorro.
Nada disto tem sentido. A Liga dos Bombeiros Portugueses insistentemente tem posto em causa quer os princípios, quer os detalhes daqueles procedimentos. O próprio INEM diz querer mudar, mas, na prática, continua a fazer o mesmo. Há dezenas de ambulâncias paradas após o chumbo da inspeção do INEM. O reinado da burocracia sai caro aos bombeiros e, indiretamente, também pode sair caro aos portugueses.

