Os Bombeiros serão, porventura, o grupo mais heterogéneo e multifacetado da nossa sociedade, com todas as qualidades e potencialidades associadas, bem como as peculiaridades próprias dessa quase universalidade.
No seio dos bombeiros e das suas associações comungam várias realidades, sob uma matriz comum administrativa e operacional, é certo, mas que geram as naturais tensões entre quem pensa de modo diferente, funciona até de modo diferente e dispõe de mais meios ou não. Essa diversidade é um constante desafio à importância de gerar e valorizar os pontos comuns.
Perante essa diversidade, o que é bom para muitos pode não servir ou ser do agrado de todos. Pode haver quem precise, ou não, de bens que, sendo comuns e cuja utilidade é universal, mesmo assim, não agradem a todos.
Como é sabido, a Liga dos Bombeiros Portugueses estabeleceu com o ICNF um protocolo para cedência, por este, de 30 viaturas ligeiras usadas com características de todo o terreno.
Perante esse anúncio, pode dizer-se, a partir daí, a Liga foi inundada de mensagens de associações e corpos de bombeiros interessados em dispor de uma viatura dessas. As mensagens têm-se repetido uniformemente, de todos os pontos do país. Através das quais, inclusive, se procura valorizar a necessidade da viatura e, para obviar até a disponibilidade em recebê-la, inclusive, se assume a garantia de todas as eventuais reparações ou melhorias que as viaturas necessitem.
A par dessa postura, com o anúncio da disponibilidade das ditas viaturas, surgiram também posições de sinal contrário, em menor número e marcadas por um manifesto desdém internauta desvalorizando, quer a posição da Liga, quer do ICNF, e a “sucata” que os bombeiros se dispõem a receber.
Alguém com sabedoria lembrou, a esse propósito, o dito “preso por ter cão e preso por não o ter”, razão para que independentemente da valia das iniciativas haja sempre quem goste e desgoste.
No final, a conclusão a que podemos chegar é que, o que é bom, naturalmente, prevalece sempre.
