Não temos que ser todos amigos

Fazer parte de um qualquer Sistema não pressupõe que tenhamos que ser, ou que sejamos todos amigos, porventura cúmplices, se calhar coniventes ou até complacentes.

Num Sistema também não temos que ser todos iguais e fazer as mesmas coisas.

Num Sistema temos que ser todos parceiros, solidários, respeitadores, também da independência de cada um, transparentes e sérios.

Se somos parceiros temos que ser ouvidos e respeitados como tal, sem escala de primeira ou de segunda.

Se somos solidários, não há quem mande e os outros se calem.

Se somos respeitadores, há regras assumidas e cumpridas

Se somos transparentes, não há golpes ou contragolpes para tirar partido do outro, nomeadamente, e também, em questões económicas.

Se somos sérios, cumprimos o acordado, pagamos quando devemos.

Como podemos fazer parte de um Sistema onde, independentemente das tropelias cometidas, os funcionários públicos recebem os seus vencimentos no dia certo de cada mês e os bombeiros a lutar todos os meses por isso quando os seus parceiros não cumprem?

Como podemos fazer parte de um Sistema em que os parceiros não se coíbem de nos driblar, para não dizer enganar?

Como podemos fazer parte de um Sistema que nos considera quando precisa e nos esquece a seguir quando não precisa?

Como podemos fazer parte de um Sistema para o qual contribuímos com mais de 90 % dos transportes de doentes, do pré-hospitalar e das transferências inter-hospitalares e somos tratados como sabemos, inclusive, como uma entidade de vão de escada?

São muitas perguntas sem respostas, que desmentem a existência de um verdadeiro Sistema onde, repita-se, não temos que ser amigos, mas temos que ser parceiros, solidários, respeitadores, transparentes e sérios.

Até que isso aconteça continuaremos a privar com um pseudo Sistema perverso, abusador, hipócrita e desrespeitador.

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