A sensação que fica é que sobre determinadas matérias não estaremos todos a falar do mesmo pois só assim se percebe, ou não, que se diga e defenda uma coisa e que a cada passo se desdiz. Pese embora o mérito inquestionável da iniciativa e a bondade para a concretizar, porém, parece constituir mais um passo em falso contra o que foi dito, nomeadamente, sobre os planos de reequipamentos.
Falamos da iniciativa de Timor-Leste de doar 10 milhões de dólares a Portugal para a aquisição de veículos florestais. Dir-se-á que foi uma iniciativa particular que, porventura, poderia ir além das regras que se deseja para o reequipamento dos bombeiros. É verdade e também é bem verdade que poderia constituir desde já um ensaio disso, mas não foi.
Desde logo, os critérios de atribuição do apoio de 75% para aquisição de cada viatura, apesar de a dado momento terem passado a ser do mero conhecimento da LBP, na verdade nunca foram analisados com ela nem com as federações de bombeiros. As coisas são como são e não é por se dizer que se falou do assunto para sufragar suficientemente uma ou várias opções.
Este procedimento, contudo, ocorre depois de muitos incisivos alertas da LBP e para as possíveis ou quase certas consequências de terem enterrado os planos de reequipamento, patrocina a forma avulsa e ocasional/casual de atribuição de apoios, nunca do OE, e sempre associados a fundos externos, parcelares, nomeadamente comunitários, com regras que muitas vezes não se compaginam com o normal funcionamento das associações.
Todos sabemos, sem exceção, que os planos de reequipamento permitem avaliar com rigor, transparência e equidade as necessidades dos bombeiros num leque alargado a todas as tipologias de viaturas. A ausência dos planos permitiu, por exemplo, que os VFCI ou VTTF tenham passado a constituir as únicas opções (não está em causa a sua necessidade) esquecendo, por exemplo os VUCI, VETA, AE e VTTU.
Se, afinal, estivermos todos a falar do mesmo então que se proceda como tal.
