Estamos em plena crise relativa às urgências hospitalares, aos constrangimentos para ali proceder ao não atendimento aos doentes em tempos, ditos, aceitáveis, à imobilização de ambulâncias a perder de vista, à retenção das macas das mesmas, enfim, uma situação que prima pelo caos a que acrescenta um, mesmo que aparente, conformismo oficial.
Os bombeiros não se resignam e, sob protesto, continuam a assegurar o serviço de socorro com todas as limitações que a situação gera. Situação que, se comparada com a da pandemia COVID-19, demonstra que afinal pouco aprendemos com ela.
Não está em causa, nem o profissionalismo dos técnicos de saúde, pese embora todos os contratempos laborais entretanto ocorridos, nem a sua competência e dedicação. Contudo, estão em causa as condições e meios para o atendimento dos doentes, condições físicas, meios técnicos e equipamentos. Situações de exceção requerem soluções de exceção mesmo que transitórias. Ora aquilo a que temos assistido é à tentativa gorada de, com os meios existentes, e assim levados à exaustão, responder à excecionalidade. Pese embora o esforço de todos e, salvo alguns resultados pontuais positivos, tudo o resto reúne todas as condições para correr mal.
E do balanço sucessivamente feito da situação ressaltam duas preocupações que não estarão a ser devidamente respondidas: Humanidade e Logística. Independentemente das circunstâncias, das condições precárias, dos meios e equipamentos insuficientes não pode faltar Humanidade, e sobre isso ficam-nos muitas dúvidas. Depois, a Logística, uma matéria transversal a toda a atividade humana em termos de gestão e organização que, ou pura e simplesmente não existe, tentada a colmatar com a mera boa vontade, ou tem sido mal aplicada, como testemunham muitos episódios relatados.
Atempadamente, a Liga dos Bombeiros Portugueses, na ótica da intervenção pré-hospitalar, avançou propostas concretas, algumas afirmativamente transitórias, para responderem às necessidades operacionais, tendo em conta a questão humanitária por um lado e, por outro, a logística.
