Há pedras que falam

No silêncio de fundo, ouve-se o vento entre as árvores, adivinham-se ruídos e murmúrios, veem-se fotos, os nomes e as datas nas pedras que se alinham, umas há mais tempo que outras.

De tudo isso, há muito que contar, de uma memória que se perpetua e que nunca se apaga, de histórias que se associam a cada um deles ou a vários deles. Permanecem ali para sempre e sempre que se aviva a memória, não se celebra a morte, mas a vida que representaram. Uma vida em que interagiram entre si porque a sua identidade foi sempre coletiva, de grupo.

Aquele conjunto de pedras é muitas vezes apontado como um santuário de bondade, de bem fazer, de abnegação e até de paixão.

Falamos dos talhões dos nossos bombeiros espalhados por todo o país. O carinho e o desvelo com que são mantidos contrastam com outras sepulturas e jazigos das proximidades que primam pelo abandono e pelo desinteresse de famílias que em muitos casos já nem existem.

Os talhões dos bombeiros são pedras que falam, que contam histórias que os próprios bombeiros não se cansam de escutar. São locais de recolhimento, de memória, de inspiração e reflexão.

Muita gente devia visitar os talhões dos bombeiros para ouvir as histórias que as pedras contam.

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