Os dirigentes das associações de bombeiros, pode-se dizer, são verdadeiros campeões na gestão das suas instituições. Quase por regra marcada pelas receitas incertas e na maioria abaixo dos custos de funcionamento que, entretanto, vão galopando. Por isso, os dirigentes são particularmente atentos e sensíveis ao conhecimento de verbas malgastas ou indevidamente aplicadas.
No caso do Ministério da Saúde, em particular, relativamente ao transporte de doentes não urgentes, às transferências inter-hospitalares ou ao pré-hospitalar, a análise que os dirigentes fazem é que, porventura, seria possível gastar o mesmo e melhor, melhor distribuído e com maior eficiência e eficácia que no passado e no presente. Aliás, a análise de muitos defende mesmo a possibilidade de não se precisar de gastar mais, sublinhe-se, se se souber fazer melhor, à partida, com o que se tem. Só depois será lógico e legítimo dever acrescentar verbas.
As dívidas às associações de bombeiros têm sido uma constante, mas por diversos motivos. Por vezes, dizem, o problema não está na falta de dinheiro, mas na desorganização, incluindo falta de pessoal. Noutros casos, em que a generosidade dos bombeiros é patente, há serviços feitos sem que antes tenha sido emitida a respetiva requisição que permita a faturação, gerando assim um hiato explicado administrativamente, mas inexplicado para a sobrevivência dos próprios bombeiros. Noutros casos ainda os serviços são pedidos e repetidos aos bombeiros sem que haja capacidade financeira para o suportar.
Questão ainda mais grave é quando o Ministério da Saúde, por exemplo, não admite dobrar ou triplicar o preço a pagar a bombeiros por serviços de proximidade de poucos quilómetros (falamos de 10 euros por serviço aos dias de hoje) mas acaba por pagar, pelo mesmo serviço, 75 ou mais euros a outra associação de bombeiros que vem de longe. Esta situação que se repete diariamente dá nota da incúria com que os recursos estatais são gastos sem vantagens para a própria estrutura e para os utentes.
Daí que se entenda que, antes de pensar aumentar a despesa, que em qualquer caso até poderá ter que crescer, antes deve ser pensada primeiro a forma como se gasta. Um bolo mais bem distribuído, porventura, ajudará a resolver muitos problemas, e de que as associações de bombeiros são bom exemplo, garantir equidade de tratamento a todas. E os utentes e doentes, sem sombra de dúvida, sairão especialmente beneficiados.
