Exigir e dialogar sem vacilar

O fogo foi ao longo da história um dos maiores flagelos para a vida das comunidades, pelo que desde sempre se instalaram sistemas de vigia e controlo, procurando controlar o seu uso e extinção quando necessário.

Por isso, os bombeiros voluntários têm as suas raízes mais profundas em cada uma das comunidades onde surgiram, quando decidiram criar as suas Associações Humanitárias de Bombeiros, respondendo assim às suas próprias necessidades de segurança, garantindo em muitos casos a sua autoproteção. Este movimento organizado tem mais de 150 anos tendo permitido até hoje que de forma voluntária conjuntos de cidadãos, de mulheres e homens bons pudessem demonstrar vínculos de cidadania e serem exemplos para outras organizações de carácter social. Os bombeiros voluntários, a par das misericórdias, são uma emanação natural do “povo” em todos os momentos, independente de regimes políticos ou vontades partidárias.

A pouco e pouco, com o desenvolvimento da consciência cívica dos cidadãos, assistiu-se à exigência de um socorro mais rápido, mais qualificado, mais organizado. E os bombeiros disseram “presentes”, exigindo nos anos 80 a criação de um serviço de Bombeiros que lhes desse essa componente organizativa – o Serviço Nacional de Bombeiros (SNB).

Ao longo dos tempos e mesmo com a presença de outras entidades, os bombeiros não viram alteradas as suas missões principais de socorro a doentes e feridos, extinção de incêndios e socorros a náufragos. Os Bombeiros no essencial continuam a desempenhar as suas missões originárias e vão continuar a realizá-las, desde que as instituições políticas o queiram e permitam.  Os bombeiros voluntários são um património imaterial da sociedade que pode ser extinto por manifesta falta de apoio ou de visão estratégica das sociedades.

Por nós, Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), que nos devemos assumir como o garante dos valores, da história e da identidade dos bombeiros portugueses, tudo faremos para garantir que este movimento único não acabe por falta de uma visão estratégica ou pela influência negativa que outras organizações, possam querer impor, oportunisticamente, sem pensar nas consequências a médio ou longo prazo.

A LBP nunca se deixará enredar em construções jurídicas baseadas em “salvo melhor opinião” para condicionar a sua liderança na revindicação dos Bombeiros portugueses aprovadas nos seus Congressos, como o de Pombal em 2008, quando exigiram a criação de um Comando Nacional de Bombeiros, onde bombeiros comandem bombeiros. Somos uma organização credível, com provas dadas, com quase 100 anos de representação dos bombeiros de Portugal.

A LBP não se limita a exigir um comando nacional de bombeiros, quer também, e acima de tudo, o equilíbrio financeiro das Associações Humanitárias, um Estatuto do Bombeiros Voluntários e dos dirigentes associativos, abrangente e moderno, indeminizações de seguros de acidentes pessoais adequadas, carreiras e estruturas salariais para os nossos Bombeiros que são também profissionais das Associações, equipamentos de qualidade, quartéis dignos, formação abrangente e permanente, ou seja a garantia da identidade dos Bombeiros, como soldados da Paz, com o lema Vida por Vida.

Saberemos sempre exigir os nossos direitos, em diálogo, em parceria, mas sem vacilar.

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