A conferência de avaliação dos incêndios florestais 2022 organizado pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) através do seu Conselho Nacional Operacional (CNO) constituiu uma experiência fora do comum, porventura até inédita para um debate franco e aberto entre os comandantes de bombeiros e os especialistas presentes em Ourém na passada terça-feira, 15 de novembro. A conferência, não só não foi à porta fechada, como foi transmitida integralmente através do YouTube, como provas da postura da LBP de reunir todas as condições para esse debate franco e aberto. Estiveram presentes perto de uma centena de pessoas e, por via digital, outras tantas em permanência e perto de oitocentas visitas.
No decurso do encontro foi possível trocar experiências, avançar sugestões e propostas de forma construtiva. O carater justicialista de outras iniciativas semelhantes foi completamente posto de lado à partida pela LBP.
No seu desenrolar, por exemplo, foram identificados vários constrangimentos nos postos de comando e teatro de operações no combate aos incêndios florestais.
Demasiadas entidades a fazer o mesmo, mas com manuais diferentes é um deles. Outros, as entidades com vontades próprias e decisões de missões próprias, horários próprios de entrada e saída do teatro de operações, pouca interação entre as forças bem como o tratamento díspar entre elas, nomeadamente no domínio da logística.
Outro constrangimento apresentado foi o das demasiadas horas seguidas dos bombeiros no combate.
Foi referido que há informações importantes que existem, que são produzidas, mas que não chegam a todos os postos de comando e que seriam uma enorme mais valia no apoio à decisão.
Outra questão apontada foi a necessidade de repensar a malha dos meios aéreos que há anos se mantém. O facto de haver mais meios aéreos é importante, mas a questão prende-se agora também com a sua qualidade face aos novos riscos e circunstâncias.
A esse propósito, o presidente da LBP, António Nunes, informou que a AGIF, sem ouvir os Bombeiros, está a desenvolver um trabalho sobre a adequação dos meios aéreos para o combate aos incêndios florestais.
Na abertura da conferência, em jeito de mote, o presidente da LBP defendeu que “seria urgente que as autoridades demonstrassem um mínimo de lucidez, criando as condições para que os bombeiros possam recuperar o seu papel fundamental, tanto no plano operacional, como também no plano estratégico, melhorando substancialmente as suas capacidades e motivação”.
O presidente da LBP, lamentou ainda, “as teorias muito interessantes do ponto de vista de laboratório, mas que ignoram a realidade local, o saber fazer no concreto terreno onde há fogo e que ignoram ou secundarizam os bombeiros no âmbito das ações de supressão do fogo”.
Longe de fechar o debate sobre os incêndios florestais de 2022, a conferência desenvolveu-o e deixou-o em aberto, conforme acentuou António Nunes no seu final, como uma nova abordagem destas e de outras questões sem reservas nem preconceitos
