Não cabe aqui avaliar as questões técnicas e operacionais ligadas à viatura acidentada em Odemira e a todas as que saíram da mesma fornada. A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), através do seu presidente, já exigiu uma comissão independente para o fazer. A independência da comissão é condição essencial para que as conclusões do seu trabalho sejam independentes.
Aqui, quanto muito cabe analisar os contornos eminentemente políticos, porventura travestidos de técnicos, que acompanharam e influenciaram o processo dos concursos das viaturas.
Em devido tempo e, em função das informações que lhe iam chegando, a LBP foi-se pronunciando sobre as cautelas a ter nesses processos, face aos recuos e avanços, os supetões conhecidos e os aconchegos políticos que os acompanhavam.
As informações tornadas públicas nos últimos dias sobre os concursos, dando conta de discrepâncias dos valores das viaturas com 170 mil euros para umas e 230 mil para outras, levam a concluir que, para já, estar-se perante matéria que obriga os atuais responsáveis da ANEPC e a sua tutela de então, nomeadamente a secretária de Estado da Proteção Civil a prestar esclarecimentos imediatos e , antes que isto vá a pior.
Como já foi dito, a LBP pronuncia-se apenas sobre factos. Enuncie-se então um deles. Ainda a missa ia a santos, com muito trabalho para fazer antes da consolidação dos termos finais do concurso, quando a secretária de Estado referida exarou um famoso Despacho, pasme-se, com a lista das associações humanitárias bafejadas com um carro. No caso do Alentejo Litoral, onde se inclui Odemira, todas as associações foram bafejadas com a sorte. Outras regiões houve em que a sorte foi madrasta e não lhes deu nada.
Durante meses da governação anterior o dito despacho foi bandeira para anúncios das boas novas das viaturas em festas e aniversários recolhendo palmas e discursos laudatórios e apologéticos para a ANEPC e para sua tutela.
Fica-nos de tudo isso, e do que a seguir aconteceu, uma pegada, porventura enlameada. Esclareça-se tudo antes que isto vá a pior.
