Acabe-se com o equívoco

Costuma dizer-se que há coisas que nascem tortas e que, tarde ou nunca, se endireitam. E parece ser o caso.

Na progressão SNB, SNBP, ANPC e ANEPC perdeu-se muita coisa que hoje está à vista. Uma delas, sem dúvida a mais importante, foi a perda da palavra “Bombeiro” a meio do percurso. Não apenas pela palavra, mas por tudo o que então significava e continua a significar, mas agora de forma não expressa.

Essa mudança não foi pacífica, aconteceu com o protesto dos próprios, dos seus comandos e dirigentes. E a meio desse processo foi tirada da cartola uma solução em que muitos porventura acreditaram, mas que, até à data, pese a bondade e a intenção de quem por lá tem passado, não resultou.

Falamos da Direção Nacional de Bombeiros (DNB), a estrutura que no seio da Autoridade abarcaria toda a problemática, mas também a essência dos bombeiros. Sobre a problemática, se tivermos em conta apenas aspetos administrativos, incluindo o RNBP, pretende abarcar outras questões para as quais no final não tem autonomia nem meios, logo, com um défice crónico de ação. Sobre a essência dos bombeiros nada foi feito e, tendo em conta os aspetos atrás referidos de falta de meios e autonomia, estamos perante um total deserto. Aqui percebe-se, por falta de identidade e até de legitimidade para o fazer.

Acresce a tudo isso, o incumprimento da Lei Orgânica da ANEPC que prevê a autonomização do orçamento de apoio às atividades dos bombeiros que está há quatro anos por cumprir. Sussurram alguns, o que é grave a ser verdade, que isto ficou apenas expresso para contentar os incautos, mas sem a garantia nem vontade de vir a ser cumprido.

O cartão do bombeiro, o regulamento de fardamentos, a atualização dos seguros são alguns dos assuntos que têm vindo a ser mastigados no âmbito da DNB e que, não só ainda não viram a luz do dia como, até, parece não haver vontade para que isso aconteça.

Das duas uma, ou a DNB existe apenas para que tente salvar a face dos que eliminaram a designação Bombeiro da organização da Proteção Civil, ou deve ter espaço próprio e autonomia.

Inclinamo-nos mais para a primeira leitura dado que a segunda há muito que poderia e deveria estar garantida com atitudes e resultados à vista.

Como nada se passa, resta-nos exprimir que, sem dúvida, estamos perante um perfeito equívoco, um engano, um desacerto, um lapso ou um mal-entendido a que cabe apenas pôr termo. E não se continue a perpetuar que nada se passa.

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