A eterna questão do ovo e da galinha

Foi sobejamente apontado o conjunto de prerrogativas que presidiram e presidem à existência do Comando Operacional Nacional de Bombeiros, a saber: Regime Jurídico das Associações, Estatutos da Liga dos Bombeiros Portugueses, Lei de Bases da Economia Social, Lei Orgânica da Proteção Civil e Sistema Integrado de Operações de Socorro (SIOPS).

Mas se não bastar esse conjunto de argumentos podemos deter-nos numa outra questão, porventura pueril, mas, mesmo assim, plena de tradição. Falamos da eterna questão, velha e relha, de saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.

Se aplicada aos bombeiros a questão é de fácil solução, foram os bombeiros que nasceram primeiro e, só depois, a dita legislação. Se não houvesse bombeiros o problema que agora ocupa a mente de tanta gente não existiria. Como alguém, muita gente, aliás, decidiu criar associações de bombeiros, à partida, não nos parece que a falta de legislação tenha obstado a isso.

Fica-nos a certeza de que os bombeiros nasceram da necessidade e da espontaneidade das comunidades locais. Fica-nos também outra certeza, de que nenhuma delas tenha ficado à espera da criação de legislação para depois avançarem.

Ainda outra certeza, ninguém fez uma lei à espera que inventassem os bombeiros.

Associada à questão do ovo e da galinha, há mais uma outra que nos bombeiros também está resolvida há muito, que se chama Proteção Civil. Sobre essa matéria é bom que alguns não tentem inverter os papeis de uns e de outros.

Hoje em dia a Proteção Civil é o que é porque os Bombeiros lhe deram a mão, não o contrário, como alguns querem fazer crer, ao arrepio da evidência histórica e da própria memória de milhares de nós, que cá andamos há muito e testemunhámos tudo isso.

Todos sabemos, é a verdade histórica, que os bombeiros e as suas associações são por natureza cidadãos e instituições inquietas e desassossegadas, sempre muito à frente, em busca de soluções e formas de dar a volta às coisas, não de problematizá-las a coberto da “burocracite” de outros.

Em resumo, na verdade, quem ainda não percebeu que vivemos num país de livre circulação e organização, também ainda não percebeu os Bombeiros e as suas Associações, a sua dinâmica e a sua cultura.

Se assim não fosse, há muito que tinha sabido valorizar, saudar mesmo, e salvaguardar a legitimidade dos Bombeiros para se organizarem. Cremos que é uma questão de tempo e de bom senso porque, a não ser assim, a realidade vai antecipar-se a tudo e a todos. A questão está em saber quem quer apanhar o comboio do Comando Nacional, quem quer ficar na gare, de soslaio e com medo de encolerizar o status caso decida alinhar, quem pensa poder apanhar o comboio em andamento ou, pura e simplesmente, quem o perdeu por receio da convicção a com que ele passou.

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