O Prémio Bombeiro de Mérito instituído há muito pela Liga dos Bombeiros Portugueses é uma história longa e rica de episódios protagonizados por bombeiros cuja memória nunca se irá apagar, seja no historial de cada uma das associações a que os distinguidos pertencem, seja no testemunho coletivo de que a Liga faz questão de preservar. A seguir reproduzimos as informações de que dispomos sobre os sucessivos premiados.
Prémio Bombeiro de Mérito
1982
Rui Jorge dos Santos Araújo
Bombeiros Municipais da Figueira da Foz
1983
Joaquim Manuel Nunes Moço
Bombeiros Voluntários de Camarate
1984
Fernando André Barroco
Bombeiros Voluntários de Mangualde
1985
João Martins Borralho
Bombeiros Voluntários de Beja
1986
Camilo Rodrigues Alves Neto
Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Ancora
1987
Constantino Carvalho Mendes
Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pêra
1988
Alexandre dos Santos Gil
Bombeiros Voluntários do Seixal
1989
José António Moedas da Silva
Bombeiros Voluntários Chamusquenses
1990
António José Pombo Grácio
Bombeiros Municipais do Sardoal
1991
José Manuel Almeida Simão
Bombeiros Voluntários Lisbonenses
1992
Virgílio Carvalho Fernandes
José Augusto Fernandes Araújo
Bombeiros Voluntários de Barcelinhos
1993
Fernando José Madeira Aguiar
Paulo Alexandre da Cruz Tiago da Silva Alves
Bombeiros Voluntários da Guarda
1994
Fernando António Rebelo Rodrigues
Bombeiros Voluntários de Seia
1995
Carlos Manuel Pires Alves
Bombeiros Voluntários de Ílhavo
1996
Rui Pedro Leitão Gomes
José António Carriço Lopez Rodrigues
Bombeiros Voluntários de Peniche
1997
Luís Campos
Bombeiros Voluntários de Odemira
– 2000 –
ALFREDO MANUEL M. LOURENÇO
BOMBEIRO DE 2.ª CLASSE – A.B.V. LAMEGO
O acto protagonizado pelo Bombeiro de 2.ª Classe Alfredo Lourenço mereceu da parte do júri o devido reconhecimento, no quadro de uma opção difícil face a outra candidatura, apresentada pela A.B.V. do Seixal, de mérito equivalente.
A opção de escolha pela candidatura do Bombeiro da A.B.V. de Lamego encontra justificação nas circunstâncias em que ocorreu a sua intervenção, caracterizada pelo espírito de decisão, abnegação e coragem de que se revestiu, sem o qual muito provavelmente ter-se-iam perdido três vidas.
– 2001 –
MIGUEL ALFREDO EIRAS PEREIRA
BOMBEIRO DE 3.ª CLASSE – A.B.V. DE AMARES
Resgatou uma senhora do fundo de um poço com 17 metros de profundidade. O poço várias vezes ameaçou ruir. A senhora estava inanimada e teve paragem cardíaca o que obrigou a procedimentos de reanimação. O resgate durou cerca de 1.30 hora.
– 2002 –
MIGUEL HENRIQUE BARROCAS MARTINS – BOMBEIRO DE 1.ª CLASSE
HUGO FILIPE DOS SANTOS SILVA – BOMBEIRO DE 2.ª CLASSE
JOSÉ CARLOS BATISTA PINTO – BOMBEIRO DE 2.ª CLASSE
A.B.V. LOUROSA
O acto de socorro protagonizado por esta equipa foi considerado como “acto de coragem e abnegação, com relevante desempenho técnico e operacional, revelador de competência, generosidade e mérito”. Para além da coragem física, revela nesta operação o trabalho de equipa, a resistência psicológica e o domínio de diversificadas técnicas, sem as quais não teria sido possível resgatar com êxito a vítima em tão melindrosa e difícil situação.
– 2003 –
HENRIQUE DA SILVA NUNES
BOMBEIRO DE 3.ª CLASSE – A.B.V. OLEIROS
FRANCISCO MANUEL FERNANDES GARCIA
BOMBEIRO DE 3.ª CLASSE – ABV SERTÃ
Ambos os Bombeiros distinguido por actos de coragem e abnegação protagonizados em incêndios distintos, bem como simbolizam a empenhada, competente, corajosa e determinada acção dos Bombeiros Portugueses no combate aos incêndios florestais que flagelaram o nosso país no Verão de 2003, da qual resultou o salvamento de muitas vidas e bens.
– 2004 –
JOÃO MANUEL MEXIA DIAS
BOMBEIRO DE 2.ª CLASSE – A.B.V. FIGUEIRA DA FOZ
No dia 24 de Janeiro de 2004 o Bombeiro de 2.ª Classe João Manuel Mexia Dias, procedeu ao salvamento da cidadã Giovanna Sorrentino impedindo que a mesma se afogasse, mantendo-a à superfície em zona de rebentação, sujeita a forte ondulação, localizada no molhe Norte exterior da entrada da barra da Praia da Figueira da Foz.
Neste acto de salvamento o bombeiro João Dias revelou grande coragem, altruísmo e enorme abnegação, para além de um perfeito auto-domínio a par de uma apurada técnica de nadador salvador.
As condições ambientais dominantes no local do acidente (ondulação de três metros e temperatura da água de – 13ºC), e a prontidão da actuação, fazem deste Bombeiro um bom exemplo do Saber fazer e do Saber Ser.
– 2005 –
JORGE ALBERTO DE CARVALHO SÁ
SUBCHEFE – A.H.B.V. LOURES
Pela sua intervenção, em Março de 2005, ao efectuar o salvamento de uma mulher que se encontrava dentro de um poço a mais de doze metros de profundidade.
AUGUSTO DO CARMO MATEUS
BOMBEIRO DE 1.ª CLASSE – A.B.V. OLEIROS
Pela coragem demonstrada durante o ataque a um incêndio florestal em Setembro de 2005, em Carvalhal, Sertã, tendo sido vítima de queimaduras que obrigaram a internamento hospitalar prolongado e a tratamentos que ainda decorrem.
– 2006 –
MARIA DE FÁTIMA FERREIRA ANTUNES
BOMBEIRA DE 2.ª CLASSE – B.V. ERICEIRA
Pela sua intervenção, em Março de 2006, numa operação de desencarceramento realizada em circunstâncias muito difíceis, com o risco da própria vida, sujeita a rebentação do mar junto às rochas. A vítima encontrava-se imobilizada no interior de uma viatura acidentada na praia do lugar de Ribeira D’Ilhas, na Ericeira, após queda nas arribas do mar. A bombeira Fátima Antunes revelou espírito de missão, serenidade e elevada qualificação técnica.
ANTÓNIO JOSÉ DIONÍSIO GONÇALVES SERRANO
BOMBEIRO DE 1.ª CLASSE – B.V. SOURE
Participou com o risco da própria vida na evacuação de 52 crianças e 2 adultos de um autocarro escolar, despistado e arrastado pela forte enxurrada que se fazia sentir em 25 de Outubro do ano transacto. António Serrano sabia que seu filho também se encontrava no interior do autocarro e, apesar disso, com elevado sentido do dever, sem cuidar de salvar ou exigir que o salvassem em primeiro lugar desempenhou arduamente com os seus colegas a difícil tarefa do resgate de todos os ocupantes do autocarro instruindo o próprio filho sobre os procedimento para acalmar as restantes crianças.
– 2007 –
EDUARDO JOSÉ DO NASCIMENTO SOARES
BOMBEIRO DE 3.ª CLASSE – AHB CASCAIS
Por ter revelado grande coragem e abnegação, numa operação melindrosa e de grande risco, da qual resultou o salvamento de duas jovens vidas. Com a sua acção, este Bombeiro honrou a divisa vida por vida e dignificou todos os demais bombeiros portugueses.
– 2008 –
FERNANDO ANTÓNIO MACHADO ALBUQUERQUE
ADJUNTO DE COMANDO
CARLOS ALBERTO PARENTE DE ALMEIDA
BOMBEIRO DE 1.ª CLASSE
MÁRCIO ANTÓNIO PINTO FERREIRA
BOMBEIRO DE 2.ª CLASSE
BRUNO MIGUEL RODRIGUES ESTEVES
BOMBEIRO DE 3.ª CLASSE
ABV CASTRO DAIRE
As condições atmosféricas extremamente rigorosas em que decorreu a operação de resgate, a determinação espantosa do grupo em conseguir plenamente o objectivo da operação, a coragem demonstrada pelos quatro elementos do grupo em secundarizar os potenciais riscos duma progressão em terreno em que a assinalável altura de neve aconselhava a maior ponderação no avanço e a inquestionável generosidade demonstrada para com os dois isolados seguranças a resgatar que, dada a progressiva deterioração das já péssimas condições atmosféricas, poderiam ser envolvidos em trágico desfecho, são indicadores que, indubitavelmente, justificam a atribuição do prémio. De realçar, ainda, o exemplar comportamento do Adjunto do Comando responsável pelo Grupo de Socorro que, com determinação, soube incutir aos seus companheiros o ânimo e orientações indispensáveis ao êxito pleno duma acção de tão prolongado desgaste físico e mental dadas as condições em que decorreu.
– 2009 –
BOMBEIRO DE 1.ª
BRUNO MIGUEL DUTRA ESPINOLA
AHB Praia da Vitória
De relevar o alto grau de dificuldade no salvamento de pessoas e protecção de bens numa plataforma flutuante aliada à muito difícil tarefa de que se revestiu a progressão do Bombeiro Bruno Espínola para conseguir entrar no porão, pelo desconhecimento do teatro de operações. A ter em atenção a previsível demora nas operações de socorro e combate e o que isso envolve de desgaste físico e mental. No caso presente foram cinco dias! O esforço e determinação desenvolvidos pelo Bombeiro Espínola no decorrer do resgate dos dois tripulantes é acto de abnegação total merecedor dos maiores encómios que só enobrece os Bombeiros deste país que o Espínola, heroicamente, representa e de que todos nos devemos orgulhar.
– 2010 –
BOMBEIRO DE 2.ª
MAXIMINO PACHECO
AHB Freamunde
De relevar a grande coragem e o apuradíssimo sentido de abnegação do Bombeiro Maximino. Em situação de alto risco, com o piso em chamas e com intenso fumo, não hesitou em resgatar a idosa, bastante pesada e utilizando muletas para se deslocar, mesmo sem meios disponíveis para garantir a sua própria segurança. Não obstante, ainda colocou o seu capacete na cabeça da senhora, desprotegendo-se com o perigo eminente do desabamento da cobertura. Ainda decorrente do resgate, o bombeiro Maximino acabou por ser atingido na cabeça, de que resultaram ferimentos ligeiros com necessidade de assistência hospitalar, felizmente, sem consequências graves. Exemplar a atitude determinada deste destemido Bombeiro que, reconhecendo não haver outra forma de fazer o salvamento, decidiu avançar menosprezando o perigo que corria. E fê-lo com total êxito!
– 2011 –
BOMBEIRO DE 2.ª
JOÃO MIGUEL FIGUEIREDO HORTA
CBM Tavira
Na intervenção efectuada pelo Bombeiro João Horta, em período de folga, na praia da Terra Estreita-Santa Luzia, destaca-se o salvamento de duas pessoas em condições adversas devido à forte ondulação e fortes correntes marítimas, e sem meios de salvamento no local. Após um rápido reconhecimento e identificação de situação de emergência, não enjeitando o espírito de sacrifício e abnegação que o momento exigia e que pôs em prática de imediato, também não descorou as regras solicitando a intervenção dos seus colegas bombeiros municipais de Tavira.
– 2012 –
BOMBEIRO DE 3.ª
IDÁLIO SIMÃO
AHB CASCAIS
Atribuído a Idálio Simão, Bombeiro de 3.ª do Corpo de Bombeiros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais.
O premiado protagonizou e coordenou uma equipa de bombeiros e agentes da PSP na tentativa bem sucedida de evitar que, em plena noite, uma senhora se precipitasse do 10.º andar de um edifício situado no Bairro do Rosário, em Cascais. Idálio Simão, que é também agente da PSP, liderou a força conjugada e abnegada do conjunto de bombeiros voluntários e agentes da PSP. Idálio Simão, com risco da própria vida, depois de espiado, tomou a dianteira da manobra de resgate da vítima quando esta já se encontrava prestes a precipitar-se do edifício, com os membros inferiores já fora do telhado, após um processo longo de diálogo com bombeiros e agentes da PSP. Quando o bombeiro Idálio Simão, em conjunto com os restantes elementos, se preparava para a abordagem directa à vítima, tendo para tal ultrapassado o parapeito da varanda, aquela escorregou e começou a deslizar pelo telhado. A queda foi então evitada, apesar do enorme risco, pelo facto do bombeiro ter seguro a vítima pelo pulso. Evitada a queda da vítima, foi depois necessário o esforço conjugado de toda a equipa para a resgatar para local seguro. Nessa operação o bombeiro Idálio Simão acabaria por cair parcialmente numa piscina existente no local mas, em plena noite se encontrava dissimulada.
– 2013 –
FERNANDO MANUEL AMARAL OLIVEIRA, BOMBEIRO DE 3.ª SUPRANUMERÁRIO
CARLA MARÍLIA PEREIRA NETO, ESTAGIÁRIA
AHB BARCELINHOS
Os dois bombeiros premiados resgataram uma idosa do leito do Rio Cávado no dia 7 de Julho de 2013, com risco da própria vida. Apercebendo-se da queda da idosa ao rio de uma altura de 24 metros, o bombeiro Fernando Oliveira, com o apoio da sua colega, Carla Neto, conseguiram proceder ao resgate da vítima antes que esta fosse arrastada para o açude próximo, evitando assim uma situação que poderia ter sido fatal.
Relativamente às demais candidaturas ao Prémio Bombeiro de Mérito 2013, o resultado da votação do Júri foi o seguinte: o 2.º lugar é atribuído António Pedro Fernandes Martins, Bombeiro de 3.ª da AHB Vila Verde, e o 3.º lugar é atribuído a Carlos Vitor Oliveira Martins, Bombeiro de 1.ª da AHB Paredes.
– 2014 –
PEDRO JOSÉ ARAÚJO PIMENTA, BOMBEIRO DE 3.ª
AHB FAMALICENSES
Pedro Pimenta, com risco da própria vida, no dia 27 de Abril de 2014, às 6h15, resgatou do interior de uma habitação em chamas dois bombeiros, um colega dos Voluntários Famalicenses e outro dos Voluntários de Famalicão, que o acompanharam na primeira intervenção de ataque a esse incêndio.
Pedro Pimenta procedeu ao resgate dos dois colegas em circunstâncias particularmente difíceis tendo em conta as altas temperaturas, a ausência total de visibilidade, e a presença de chamas em praticamente todos os espaços da habitação. Esse resgate foi feito um a um, ou seja, obrigando Pedro Pimenta a entrar por duas vezes na habitação para, em condições cada vez mais difíceis, retirar os dois bombeiros para o exterior onde os confiou aos cuidados de outros bombeiros presentes.
Apesar da sua juventude, Pedro Pimenta demonstrou coragem mas também conhecimento e treino em todo o processo de resgate.
Pedro Pimenta encontrava-se no quartel mas não integrava a escala prevista para aquela noite. Contudo, após o alerta para o incêndio rapidamente voluntariou-se para guarnecer uma das viaturas que saíram do quartel.
Chegados ao local, com intenso fumo a sair do 3ª andar do edifício para o exterior, logo subiram à habitação atingida, acompanhado dos dois colegas, para procederem a uma busca primária. Apesar das dificuldades de visão e circulação no interior do apartamento prosseguiram a missão tendo muitas vezes parado para redefinir entre si a estratégia a adoptar em busca de eventuais vítimas.
Dentro do apartamento foram então confrontados com a ocorrência de uma explosão num dos quartos, tendo um dos elementos sido projectado para cima de um colchão em chamas e o outro para o interior de um armário. É então que Pedro Pimenta, apercebendo-se das dificuldades sentidas pelos colegas, passa a realizar o seu resgate nas condições descritas.
– 2015 –
RAULINO MACHADO VENTURA, CHEFE
AHB RIBEIRA GRANDE
No dia 2 de Julho de 2015, o chefe Raulino deparou-se com um cenário de perigo de afogamento de um indivíduo nas agitadas águas da Praia de Santana, na freguesia de Rabo de Peixe, ilha de São Miguel. O alerta chegou ao quartel e Raulino Ventura saiu numa ambulância de socorro acompanhado pela bombeira de 3.ª Carla Araújo, munido apenas de uma bóia salva vidas, uma vez que a embarcação de socorro do Voluntários da Ribeira Brava estava em reparação, e a mota de água integrava do dispositivo de segurança do evento Sata Rallye Açores. Com uma longa carreira de 33 anos e uma brilhante força de serviço, o bombeiro micaelense acreditou que, mesmo com parcos recursos, conseguiria salvar o banhista. Chegado ao local, praia não vigiada, percebeu que a alternativa era tirar a farda e lançar-se à água, uma vez que o homem se encontrava no limite das suas forças e a qualquer momento podia desistir e largar a rocha que o prendia à vida. Não havia tempo para esperar pelos meios de socorro aquático, que teriam de vir de Ponta Delgada. Entrou no mar, nadou até próximo da vítima e entregou-lhe a bóia. Cumprida a primeira parte da missão, Raulino preocupou-se em transmitir calma e segurança ao jovem náufrago. À beira de água, já a salvo, o homem recebeu os primeiros cuidados e foi, posteriormente, transportado ao hospital. O chefe Raulino Ventura é merecedor de lhe ser atribuído o prémio Bombeiro de Mérito 2015 pela sua coragem, sangue frio, força e determinação que demonstrou ao responder com prontidão ao salvamento de um náufrago, pela sua capacidade de reacção perante o perigo eminente, que mesmo com falta de meios existentes no momento, não hesitou em, com risco da própria vida, socorrer o próximo.
– 2016 –
DULCE ADRIANA TEIXEIRA LEITÃO, BOMBEIRA DE 3.ª
AHB CARVALHOS
PAULO ARMANDO MARTINS OLIVEIRA, SUB-CHEFE
AHB ALMADA
Dulce Adriana Leitão foi atropelada na A4, em 22 de agosto de 2016, quando prestava assistência às vítimas de um acidente de viação com várias viaturas e multivítimas, perto do nó de Paredes. Um grupo de bombeiros dos Voluntários dos Carvalhos deslocava-se, à noite, em direção a Marco de Canavezes, a fim de proceder à rendição de companheiros que se encontravam no combate a incêndios florestais, quando se deparou com o acidente registado momentos antes. O facto do acidente ter ocorrido à noite, cerca das 23 horas, e provocado dispersão de destroços na via, constituiu desde logo um teatro de operações difícil de gerir. Os bombeiros procuraram sinalizar o local com os rotativos das suas viaturas e com o auxílio de lanternas começaram a prestar auxílio às vítimas, ao mesmo tempo que acionavam outros meios de socorro para o local. Apesar de a sua presença estar sinalizada, os bombeiros estiveram sempre atentos às viaturas de passagem. Porém, constituindo sempre uma missão de risco, Dulce Leitão acabou por ser atropelada por uma dessas viaturas quando prestava assistência a um menino de 12 anos. Apercebendo-se do atropelamento eminente a bombeira protegeu João e com esse gesto acabou por sofrer graves sequelas, com fraturas múltiplas na perna esquerda que implicaram intervenções cirúrgicas.
Paulo Oliveira resgatou, em 5 de outubro de 2016, com êxito uma menina, Maria Inês, então com dois anos de idade, que se encontrava com um braço entalado num elevador imobilizado a seis pisos de altura num edifício situado no Pragal, Almada. O resgate foi feito através do poço do elevador em condições muito arriscadas mas perfeitamente assumidas pelo Paulo Oliveira, apoiado pela restante equipa de bombeiros. Chegados, prontamente, ao local do acidente os bombeiros verificaram que a criança se encontrava com o braço preso entre a parede e o elevador e que este não dispunha de portas de proteção. Assim, através do poço Paulo Oliveira teve que desencadear uma complexa e arriscada operação de desencarceramento que implicou a desmontagem cuidadosa de componentes do elevador, mas demonstrou capacidade e preparação técnica mas também coragem e espírito de missão. A operação foi também dificultada com a falta de iluminação e a falta de espaço para tal tendo o Paulo Oliveira recorrido apenas ao seu próprio telemóvel segurado com a boca. Ao descrever o desenrolar do resgate Paulo Oliveira não deixou de salientar a cooperação da própria criança que “foi muito guerreira”, mantendo-se calma e sem chorar, mas, também, dos avós.
– 2017 –
GONÇALO FERNANDO CORREIA CONCEIÇÃO, BOMBEIRO DE 3.ª (A TÍTULO PÓSTUMO)
FERNANDO SEBASTIÃO GOMES TOMÉ, CHEFE,
RUI MIGUEL MEDEIROS ANTUNES ROSINHA, SUB-CHEFE,
FERNANDO PAULO ALMEIDA TOMÉ, BOMBEIRO DE 3.ª
FILIPA ANTUNES RODRIGUES, BOMBEIROS DE 3.ª,
AHB CASTANHEIRA DE PERA
SÉRGIO PAULO HENRIQUES LOURENÇO, ADJUNTO DE COMANDO
AHB PEDRÓGÃO GRANDE
Atribuído em ex-aequo a Gonçalo Fernando Correia Conceição, Bombeiro de 3.ª (a título póstumo), Fernando Sebastião Gomes Tomé, Chefe, Rui Miguel Medeiros Antunes Rosinha, Sub-chefe, Fernando Paulo Almeida Tomé, Bombeiro de 3.ª e Filipa Antunes Rodrigues, Bombeiros de 3.ª, do CB da AHB Castanheira de Pêra, e a Sérgio Paulo Henriques Lourenço, Adjunto de Comando do CB da AHB Pedrógão Grande.
O Prémio Bombeiro de Mérito destina-se a galardoar em cada ano que passa, o Bombeiro ou Bombeiros que se destacam no cumprimento do dever, com particular ênfase no salvamento de pessoas e haveres com risco da própria vida.
O ano 2017 foi um ano de particular complexidade, dramático, uma situação de autêntica catástrofe humana e ambiental, fogos que ceifaram vidas humanas, dizimaram florestas, devastaram património edificado, destruíram fábricas e eliminaram alimentos para centenas, senão mesmo milhares de animais que era, e são o sustento das populações afectadas.
Neste cenário dantesco destacaram-se com particular dedicação, coragem, abnegação, no cumprimento do dever, os Bombeiro Portugueses, mulheres e homens anónimos que deram o seu melhor para salvar vidas e haveres.
Nesta edição destacaram-se e por isso se evocam e homenageiam a título póstumo o Bombeiro de 3.ª Gonçalo Fernando Correia Conceição, o Chefe Fernando Sebastião Gomes Tomé, o Sub-chefe Rui Miguel Medeiros Antunes Rosinha, o Bombeiro de 3.ª Fernando Paulo Almeida Tomé, e a Bombeira de 3.ª Filipa Antunes Rodrigues, todos Bombeiros do Corpo de Bombeiros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pêra, e ao Adjunto de Comando Sérgio Paulo Henriques Lourenço, do Corpo de Bombeiros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande.
– 2018 –
HÉLIO DIOGO PERES OLIVEIRA, BOMBEIRO DE 2.ª
AHB ALJEZUR
GONÇALO DIOGO SILVA MONTEIRO, BOMBEIRO DE 2.ª
AHB CARCAVELOS E SÃO DOMINGOS DE RANA
O bombeiro de 2.ª Hélio Diogo Peres Oliveira, no dia 8 de outubro de 2018 integrando a equipa de intervenção permanente (EIP), esteve na primeira linha no resgate aquático de um homem que se encontrava isolado num rochedo na Praia de Vale dos Homens. A vítima não sabia nadar e tinha antecedentes de saúde que inspiravam cuidados. Sabendo que os meios diferenciados poderiam demorar, e não havendo tempo a perder, dois operacionais lançaram-se ao mar, mas a rebentação obrigou um dos elementos a regressar a terra, já sem parte do equipamento, levado pela força das ondas. Hélio continuou a nadar até alcançar o rochedo onde permaneceu mais de duas horas sob condições muito adversas. Primeiro a solo e mais tarde em parceria com um mergulhador da Autoridade Marítima, o operacional dos Voluntários de Aljezur conseguiu estabilizar a vítima e evitar que fosse levada pela fúria do mar, até à chegada do meio aéreo que procedeu ao seu resgate bem como da equipa de socorristas.
O bombeiro de 2.ª Gonçalo Diogo Silva Monteiro, do corpo de Bombeiros Voluntários de Carcavelos/São Domingos de Rana, no dia 14 de dezembro circulava no seu carro, portanto à civil, no Bairro Mata da Torre quando se apercebeu do fumo que saía de um dos edifícios. De imediato, entrou no prédio para tentar retirar todas as pessoas que lá estivessem, mais foi mais longe, irrompendo pelo apartamento tomado pelo fogo. A violência das chamas e a intensidade do fumo obrigaram-no a recuar e a procurar ajuda para tentar socorrer uma pessoa que se encontrava no interior daquela casa. Com o apoio de dois agentes da Polícia de Segurança Pública voltou ao prédio com o firme propósito de salvar aquela vida, mas apesar de todo o esforço imposto a uma missão arriscada, o incêndio acabou por a roubar. Ainda assim, à chegada das equipas dos Bombeiros de Carcavelos, Gonçalo Diogo Silva Monteiro, não desistiu do seu desígnio apressou-se a vestir o EPI de uma bombeira, colocou o Arica, e subiu ao 3.º andar do prédio de onde resgatou uma criança que se encontrava sozinha em casa.
– 2019 –
Tiago Alexandre Silva Franco, Bombeiro de 3.ª
AHBV Alenquer
O bombeiro de 3.ª Tiago Alexandre Silva Franco, cerca das 21h30 de dia 24 de dezembro de 2019, foi chamado para uma ocorrência de possível fuga de gás numa casa na localidade de Casais da Marinela, no concelho de Alenquer. Por estar em casa de familiares a celebrar o Natal, muito próximo do local da ocorrência, foi o primeiro a chegar, acompanhado da sua companheira Sofia, também ela Bombeira. No exterior da casa, encontrou o homem que informou que a sua ex-mulher e a sua filha de 10 anos estariam no interior, mas não soube explicar o que aconteceu porque apenas recebeu uma chamada da senhora e apenas ouviu a sua filha a chorar. Tiago, ao dirigir-se à porta entreaberta, não sentiu qualquer odor estranho que levantasse suspeita, mas ao abrir a porta deparou-se com uma criança caída no chão da cozinha. De imediato, retirou-a para fora da casa e deixou-a aos cuidados da sua companheira, para regressar para o interior e procurar a mãe. Entretanto, com a chegada da equipa de socorro, retiraram a mulher, e as vítimas foram transportadas para o hospital. Este incidente ocorreu, presume-se, pela libertação de monóxido de carbono do esquentador pouco ventilado. Mãe e filha recuperaram, mas os minutos foram preciosos para o final feliz deste incidente, graças ao rápido socorro prestado por Tiago.
– 2020 –
Paulo Roberto Araújo Marques, subchefe
AHBV Valongo
O subchefe Paulo Marques, em 6 de fevereiro de 2020, pelas 22h55, chefiou a intervenção do corpo de bombeiros para um alerta para incêndio urbano, na Rua Marques da Rocha, em Valongo. Chegados ao teatro de operações o subchefe e a sua equipa aperceberam-se que a habitação estava totalmente tomada pelas chamas. No reconhecimento efetuado o subchefe Paulo Marques ouviu vozes do interior da habitação. Sem qualquer hesitação dirigiu-se para o local onde a vítima se encontrava e resgatou-a para o exterior. Nesse percurso de resgate da vítima pelo subchefe Paulo Marques o primeiro andar da habitação começava a desabar.
Nessa altura, o subchefe Paulo Marques manteve a operação de resgate e conseguiu retirar a vítima para o exterior sem mais lesões.
No exterior o subchefe entregou a vítima aos cuidados da equipa de bombeiros, a SIV de Valongo e a VMER de S. João, que procedeu à sua estabilização e posterior evacuação para o mesmo hospital em estado grave.
– 2021 –
Marco Filipe Melo Moniz Reis Medeiros, Subchefe
Hélder Jorge Silva Raposo, Bombeiros de 1.ª
AHBV Ribeira Grande
Os dois bombeiros, no dia 13 de fevereiro de 2021, às 18h30, iniciaram a operação de socorro a dois surfistas espanhóis em circunstâncias particularmente difíceis e com manifesto risco de vida para os dois bombeiros.
Frente à praia do Areal de Santa Bárbara, com mar alteroso e visibilidade já escassa, os dois surfistas estavam a ser levados para o alto mar sem conseguir por meios próprios aproximar-se da costa. Apesar da escassez de visibilidade que já se sentia à hora da receção do pedido de socorro, os bombeiros deslocaram-se para o local e colocando a mota de água de salvamento no mar, com conhecimento da Capitania do Porto de Ponta Delgada, lograram alcançar os surfistas a partir do último local onde tinham sido avistados. Caiu a noite e, apesar das circunstâncias difíceis de mar, visibilidade e vento, os dois bombeiros alargaram a zona de busca na mota, mas sem resultados. Face às condições adversas foi-lhes dada ordem para concluir a busca. Numa última tentativa, em que claramente puseram ainda mais a vida em risco, os bombeiros fizeram uma passagem em todo o perímetro de busca, já sem qualquer visibilidade, acabando por encontrar os dois surfistas a uma milha da costa, perdidos, exaustos e em hipotermia. O resgate foi imediato e após a sua conclusão os dois surfistas foram evacuados para o hospital.
– 2022 –
Gustavo Sérgio Conceição Caldas, Bombeiro de 3.ª,
AHBV Ermesinde
No dia 14 de agosto de 2022, no seu período de férias, que desfrutava na Albufeira de Azibo, em Macedo de Cavaleiros, o bombeiro Sérgio Caldas ouviu uns jovens gritar alegando que estava um corpo a boiar na água. De imediato correu para o local, entrou na água e puxou a vítima para a margem, onde, com a ajuda dos nadadores salvadores, retiraram a vítima para terra, tendo iniciado manobras de suporte básico de vida, uma vez que a vítima se encontrava em PCR. Após quatro ciclos de manobras de reanimação, a vítima começou a apresentar sinais de circulação, tendo sido de imediato colocada em PLS até à chegada de meios de socorro ao local, neste caso, uma ABSC dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros e a VMER dos Bombeiros Voluntários de Bragança. Desta forma, com o espírito do Bombeiro, foi salva mais uma vida. A atenção ao que se passa à sua volta, reação e decisão rápida, interação entre equipas e a colocação do conhecimento técnico.
Foi decidido, por unanimidade, propor ao Conselho Executivo da LBP um reconhecimento ou louvor a André Emanuel Gomes de Sousa, Bombeiro de 1.ª, e a Diogo Machado Faria, Bombeiro de 3.ª, do Corpo de Bombeiros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, candidatura apresentada pelo seu Comandante, mas que não foi vencedora deste Prémio.
– 2023 –
Manuel Augusto Alves Ribeiro, Bombeiro de 1.ª
AHBV Barcelos
No dia 27 de junho de 2023, o Bombeiro Manuel Ribeiro estava a trabalhar num serviço particular no rio Cávado (limpeza do rio), acima do açude de Barcelinhos, juntamente com o colega José Manuel Torres, quando ouviram “Batalha”! Pegaram no barco e foram em auxílio, ligando para os Bombeiros Voluntários de Barcelinhos, e, ao chegar junto do referido açude depararam-se com um jovem em dificuldades e em vias de afogamento, tentando manter-me à tona da água. Imediatamente, o colega José mandou-se ao rio e o bombeiro Manuel atracou o barco. O colega tentou arrastá-la, mas a vítima, já em paragem respiratória, “fugiu” do alcance do colega, tendo Manuel ido de imediato em auxílio e os dois conseguiram retirar o jovem para o areal. Com o jovem já em terra, o Bombeiro Manuel deu início às manobras de reanimação, que, após a sua insistência, conseguiu que o jovem começasse a expelir água. Entretanto, chegaram os meios de apoio dos Bombeiros Voluntários de Barcelinhos e a VMER de Barcelos, que prestaram os posteriores procedimentos de estabilização da vítima.
– 2024 –
Bombeiros do Corpo de Bombeiros da AHBV Lixa e aos Bombeiros do Corpo de Bombeiros da AHBV Vila Meã
No dia 16 de setembro, a zona de Figueiró-Trouxainho foi uma vez mais assolada por um devastador incêndio florestal. Num cenário de recursos limitados e num contexto de interface urbano-florestal, com a população em sobressalto, a missão dos Bombeiros era clara: salvar, pela ordem de prioridades, pessoas, bens e ambiente. Num quadro extremo de complexidade do terreno, densa vegetação e propagação agressiva do fogo, o Chefe Paulo Soqueiro, no exercício da sua missão, caiu numa depressão natural do tereno, ficando impossibilitado de se mover. As lesões sofridas diminuíram a sua possibilidade de fuga pelos seus próprios meios. Consciente da gravidade do momento, acionou o botão de pânico via SIRESP, alertando de imediato para o seu estado e desaparecimento. Sem hesitação, os Bombeiros da Lixa e de Vila Meã iniciaram uma operação de busca e resgate de enorme complexidade, uma vez que o cenário era de visibilidade reduzida pela de escuridão da noite, terreno acidentado e constante ameaça das chamas. As dificuldades multiplicaram-se com a imprecisão dos sinais SIRESP, a exaustão crescente e a tensão emocional dos Bombeiros envolvidos. O Comandante Vitor Meireles foi mantendo contato por telemóvel com o Chefe Paulo Soqueiro, que, em desespero, pedia desculpa e confessava o receio não resistir e sucumbir ao fogo. Enquanto o Comandante o encorajava, ia garantindo que o encontrariam com a força inabalável de quem se recusa a abandonar um dos seus. Cada Bombeiro presente, mesmo com funções atribuídas no combate, sentiu a dor de ver um dos seus em perigo iminente. Após horas de incerteza, a coragem e espírito de sacrifício prevaleceram, culminando com a localização e resgate do Chefe Paulo, exausto, debilitado, mas vivo, tendo recuperado sem sequelas. O heroísmo de cada um dos Bombeiros envolvidos, a sua abnegação e inflexível sentido de missão são agora reconhecidos e perpetuados para a história dos Bombeiros da Lixa e Vila Meã, e para os Bombeiros de Portugal.

