As coisas simples, para muitos, por vezes, parecem confusas para outros. Tudo depende do ponto de vista da sua análise e do objetivo em causa.
Para os bombeiros, o transporte de doentes não urgentes gera receitas, sem dúvida, mas nunca constituiu um negócio como tal.
É uma atividade importante com todas as implicações que envolve: o exercício de uma função social que antes ninguém desempenhava, o reforço mesmo que ocasional de elementos disponíveis também para o socorro e mesmo um gerador de emprego local.
A pretensão mais que lógica e justa é que o exercício desse serviço seja sustentável. É um serviço que se quer pago por ele próprio e pelo valor real.
Onde nada se fazia há anos os bombeiros garantiram o preenchimento de um serviço criado pelo SNS pouco depois da sua criação. Capacidade instalada e ampliada garantiu aos portugueses em brevíssimos tempos disporem do transporte de doentes não urgentes com uma rede nacional que foi crescendo para garantir a satisfação plena nas necessidades. Há muito que devia ter sido feito um estudo às dimensões qualitativa e quantitativa deste serviço. A sua subsistência muito se ficou a dever aos bombeiros, sem interrupções no serviço, apesar dos atrasos nos pagamentos, muitas vezes escandalosos, das estruturas da saúde para com eles.
Hoje urgem novas mudanças no transporte de doentes não urgentes defendidas e reivindicadas pela Liga dos Bombeiros Portugueses. As soluções do passado podem não ser as de hoje. Por isso importa que o Ministério da Saúde encare a situação como tal. Assim, as condições da prestação desse serviço devem ser revistadas, entre as quais, naturalmente, está uma tabela de preços que seja compatível.
O transporte de doentes não urgentes é um setor aberto à concorrência com as diferenças que marcam os respetivos operadores. Os bombeiros, por princípio, nada têm contra ninguém. Por isso também exigem regras e transparência na gestão do setor.

