Perdem-se no tempo as vezes que a Liga dos Bombeiros Portugueses disse aos governantes que com o mesmo ou até menos é possível fazer mais a bem dos doentes, das associações e das contas das próprias unidades locais de saúde. Dirão que é uma contradição, mas na realidade não é. A questão está na garantia da equidade, da transparência e da redistribuição dos recursos por quem presta o serviço. Dinheiro mal empregue e malbaratado fica de fora. Não se trata de moralismo. Trata-se de contas bem feitas e recursos bem empregues.
Por outro lado, nem tudo custa só dinheiro. Implica também, especialmente, esforço, criatividade e até imaginação.
Gerir uma associação de bombeiros é isso. E bem fariam os governantes em analisar e aprender com quem o faz. Há quem diga, a título simbólico, que só os dirigentes das associações é que sabem gerir o zero.
Gerir uma associação de bombeiros nos dias de hoje, face às dúvidas e incertezas, é verdadeiramente um número circense, sem rede e sem outros dispositivos de segurança extras que não seja o empenhamento, denodo, espírito de sacrifício e assunção do risco pelos dirigentes. Em linguagem comum trata-se de voar sem paraquedas.
Gerir uma associação é um exercício constante e persistente de luta pela sobrevivência, por manter a porta aberta 24 horas e garantir eficiência e eficácia na sua ação. Estamos invariavelmente perante uma verdadeira ascese, de renúncia pessoal, de disciplina extrema e até despojamento de quem luta e gere as associações.
E, quando no meio disso tudo, se diz aos governantes que há muito por fazer, por gerir melhor as verbas, coordenar melhor a prestação dos serviços, partilhar melhor a informação e os meios é porque se sabe como é, como é possível garantir resultados sem desperdiçar, sem decisões perdulárias. Se não for assim, percebe-se que o orçamento da Saúde continue cada ano a crescer sem sucesso, ou seja, sem que se atinja o grau de execução e satisfação que se pretende.
