Foi assim que nasceu há mais de 150 anos a primeira Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários. Depois dela, vieram a nascer mais de 450, todas com a mesma genética e a mesma génese: emanadas da sociedade para servir Portugal e os portugueses.
Fica um alerta a todos quantos pensarem em deitar um balde de água num qualquer incêndio que tenham à porta de casa: cuidado porque podem ser alvo de um inquérito por alegada falta de enquadramento legal para o efeito.
Querem lá ver agora que para os corpos de bombeiros operacionalizarem ambulâncias de socorro adicionais aos meios permanentes protocolados no âmbito do Sistema Integrado de Emergência Médica, têm de pedir licença?
Tenhamos a noção do ridículo!
Tenhamos a noção de que no dia a dia, todos os dias, há Corpos de Bombeiros cuja casuística de emergências pré-hospitalares, às quais respondem a pedido dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), são efetuadas com ambulâncias adicionais às que estão adstritas aos Postos de Emergência Médica (PEM) e aos Postos de Reserva (PR) em rácios que chegam a 75% do total. Por cada quatro ocorrências, três são respondidas com meios extra.
Todas as mobilizações de ambulâncias de socorro para efeitos de emergência pré-hospitalar a pedido dos CODU são sistematicamente registadas pelo INEM sendo atribuído o designado “número CODU” e simultaneamente registadas no Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), neste último caso, quando a informática funciona, de forma automática, de modo que não há movimentos piratas nem paralelos! No caso de emergências pré-hospitalares extra-SIEM, apenas há registo no SADO, ou seja, a ANEPC, enquanto entidade responsável pela coordenação das atividades de Proteção Civil, tem 100% da informação a todo o momento.
É muito interessante a lógica de que para uma solução apareça logo quem arranje dois problemas, em vez de a ela aderir voluntariamente e de forma completamente desinteressada, a não ser acrescer capacidade de resposta ao SIEM a bem de TODOS, TODOS, TODOS.
Para os Bombeiros de Portugal não basta passar horas e horas a elencar problemas; cada problema é encarado como um desafio e cada desafio é respondido com ações concretas e soluções. Podem querer pôr paus nos raios das rodas da bicicleta… partem-se dois ou três…, mas ficam lá os outros!
Entretanto, e falando de coisas sérias, se se mantiver o decréscimo de solicitações no âmbito da emergência pré-hospitalar como aconteceu, a organização logística dos serviços de urgência dos hospitais permanecer com um nível razoável no que respeita à fluidez das triagens e passagens dos doentes/vítimas das macas das ambulâncias para as macas dos próprios hospitais, o reforço extraordinário de meios deixa de fazer sentido e a normalidade regressará.
No fim, apurar-se-á a casuística de acionamento dos meios adicionais que voluntariamente alguns Corpos de Bombeiros da zona de Lisboa puseram ao dispor do SIEM, sempre acionados quando os meios de maior proximidade estavam esgotados, como aliás acontece quotidianamente. A grande vantagem de estarem juntos, no mesmo local, de forma concentrada, é a gestão da sua ativação, facilitando sobremaneira a missão dos CODU e tão só isso. Permitindo que para um telefonema corresponda a ativação de uma ambulância, em vez de ser necessário correr Corpos de Bombeiros até encontrar um com disponibilidade.
Vamos lá em frente porque atrás vem gente!
Eduardo Correia, Vice-Presidente da LBP
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