Discurso Presidente da LBP em Guimarães

“Boa tarde.

É com grande respeito e admiração que me dirijo a todos os presentes para prestar homenagem aos bombeiros portugueses, nestas Jornadas Nacionais de Bombeiros, onde se inclui o Dia Nacional do Bombeiro, mas também aos dirigentes associativos das estruturas de bombeiros.

Antes de mais, permitam-me uma palavra de profundo agradecimento: ao Senhor Presidente da CM de Guimarães, Dr. Domingos Bragança pelo inestimável apoio dado, sem o qual não poderíamos ter a nobreza deste evento; ao Senhor Presidente da AHBV Guimarães, Dr. João Pedro Castro pela excelência dos eventos realizados, demonstrando que os Bombeiros continuam com pujança e elevada capacidade organizativa, sendo por isso um exemplo a seguir; à Presidente da Federação dos Bombeiros de Braga, Dra. Ana Luísa Damasceno, pelo empenho na organização de mais um acontecimento muito importante para o setor dos Bombeiros.

Agradeço ainda a todos os senhores comandantes, elementos de comando, dirigentes e bombeiros pela disponibilidade e participação nas cerimónias nesta bela e histórica cidade de Guimarães. Muito obrigado. Bem hajam.

Nestes tempos desafiadores, é fundamental reconhecer e valorizar o papel vital que os dirigentes associativos têm desempenhado na organização, no apoio e na promoção dos serviços essenciais que os nossos bombeiros prestam à sociedade.
Dirigir uma associação humanitária de bombeiros é uma tarefa que exige mais do que liderança: requer paixão, comprometimento e uma visão clara do que significa servir a comunidade. Os nossos dirigentes associativos são a força motriz que visa fortalecer as condições para que os corpos ativos possam salvar pessoas e bens.
O trabalho que realizam acontece nos bastidores, longe dos holofotes. É exatamente essa dedicação silenciosa que garante que os nossos bombeiros tenham os recursos, a formação e os apoios necessários para desempenharem as suas funções com excelência. É no dia a dia que tecem a rede de suporte que permite a cada bombeiro atuar de forma eficaz nas situações mais adversas.

Ao longo dos anos, os dirigentes associativos têm enfrentado desafios significativos, desde a angariação de fundos até à implementação de novas políticas e práticas que promovem a segurança e o bem-estar dos nossos heróis – os bombeiros. A visão que a maioria de vós trazem para as associações humanitárias é uma bússola que orienta não apenas o presente, mas também o futuro dos nossos bombeiros. São, também, facilitadores de mudança e inovação.

Além disso, é importante destacar o seu papel como defensores da profissionalização da primeira intervenção dos corpos de bombeiros. São as vozes que ecoam nas esferas políticas e sociais, alertando para a necessidade de investimento e valorização dos bombeiros. Através do diálogo com autoridades e entidades políticas, bem como no envolvimento em projetos comunitários, trabalham incansavelmente para assegurar que as necessidades dos nossos bombeiros sejam ouvidas e atendidas.

Por isso, neste momento, quero agradecer a cada dirigente associativo pelo vosso trabalho árduo, pela vossa resiliência e pela dedicação que demonstram pela causa dos bombeiros. São verdadeiros líderes e exemplos de cidadania, e o nosso reconhecimento é apenas um pequeno reflexo da gratidão que todos sentimos pelas vossas contribuições.

 

E, neste contexto, o Conselho Executivo da LBP deliberou atribuir medalhas de reconhecimento às Federações de Bombeiros em nome de cada uma e das Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros das suas áreas, como pudemos observar há instantes, de acordo com os seus anos de existência, procurando, com isso, por um lado reconhecer o trabalho de todos e, por outro, incentivar a que continuemos a dar o melhor de nós, criando as melhores condições aos Bombeiros portugueses. Obrigado a todos pelo vosso inestimável trabalho em prol das comunidades.

Que a união e a força continuem a inspirar-nos. Sigamos juntos, fortes e determinados a promover um futuro cada vez mais seguro e resiliente.

Mas, também, aqui hoje, neste Dia Nacional do Bombeiro, que no corrente ano se transformou nas Jornadas Nacionais dos Bombeiros, incluindo uma série de iniciativas para prestar homenagem a um grupo de pessoas excecionais, diferentes, exemplo de abnegação, de sacrifício, com o lema “Vida por Vida”, os bombeiros portugueses, onde se  incluem os bombeiros dos quadro ativo, de reserva e de honra, da Juvebombeiro, os elementos de comando e todos os que aspiram a pertencer a esta grande família, sejam voluntários, sapadores ou municipais.

O dia que hoje celebramos reflete um momento de profunda gratidão, reconhecendo o enorme coração que pulsa por trás de cada farda, de cada ato praticado, dia após dia.
Ser bombeiro é mais do que uma opção: é uma vontade de servir a comunidade. É uma vocação que exige coragem, compaixão e um espírito indomável. Quando a sirene toca, quando o alarme soa, respondem, sem hesitar, deixando para trás as suas próprias vidas pessoais, as suas famílias e os seus planos, para atender a uma chamada que muitas vezes é alguém desesperado. São os anjos da guarda que se levantam todos os dias prontos para lutar pelo próximo.

Os Bombeiros, essas mulheres e homens, conhecem o peso da responsabilidade que carregam. Cada incêndio combatido, cada resgate realizado, cada doente ou sinistrado transportado, cada animal resgatado, é um testemunho da dedicação pelo que fazem. Vocês entram em situações que muitos nunca ousariam enfrentar. As chamas podem ser ferozes, mas a determinação que arde em vós é ainda mais intensa, como diz o nosso hino “O bombeiro é o guerreiro da esperança que luta e que avança como anjo da vida”.  A vossa coragem e abnegação falam mais alto do que qualquer medalha ou palavra de agradecimento. Sabemos que o caminho que escolheram pode ser difícil e muitas vezes doloroso. Temos consciência que enfrentam não apenas os desafios físicos, mas também os emocionais. As memórias que guardam dos momentos difíceis podem ser um fardo pesado. Mas saibam que, mesmo nas horas mais sombrias, vocês não estão sozinhos. A comunidade está convosco, todos nós estamos convosco, pelo que cada vida que vocês salvam, cada sorriso que vocês trazem de volta à esperança, é uma prova de que o vosso trabalho é imprescindível. Obrigado, Bombeiros de Portugal.

Vamos continuar a caminhar juntos, lembrando que a vossa bravura e bondade iluminam o caminho para todos nós. Contem sempre com o nosso apoio, a nossa gratidão e o nosso respeito. Vocês são verdadeiros heróis e, hoje, honramos cada um dos presentes e lembramos os 255 bombeiros que morreram em serviço, desde 1980 até aos dias de hoje. Que o seu sacrifício não seja em vão e sim a força, qual fénix renascida, para continuarmos a lutar pelos nossos direitos, sem medos, sem receios, na senda das nossas profundas convicções sedimentadas na nossa identidade, história e valores. A Liga dos Bombeiros Portugueses está ao vosso serviço na intransigente defesa dos vossos direitos.

Não podemos ter receio de banir do nosso léxico, de uma vez por todas, a palavra resignação. Temos, todos, em conjunto e uníssono, Liga dos Bombeiros Portugueses, Federações de Bombeiros, Associações Humanitárias, Bombeiros e Comandos, de lutar de cabeça erguida e sem receios, pelos nossos direitos, exigindo um tratamento diferente por parte dos políticos, em geral e dos deputados recentemente eleitos e do novo Governo, em particular. Os bombeiros são imprescindíveis e indispensáveis no contributo, para o exercício da responsabilidade constitucional do Estado de garantir segurança e bem-estar às populações que servimos há mais de 630 anos. Temos de saber exigir que sejam cumpridas as promessas eleitorais ou em reuniões ou em cerimónias públicas e mais compreensão pelas nossas revindicações, porque pedimos, não para nós, mas para estarmos mais bem preparados para garantir segurança aos cidadãos.

Temos esperança que o novo ciclo político honre as propostas apresentadas no reconhecimento dos direitos e regalias dos Bombeiros portugueses, designadamente: a aprovação de um estatuto remuneratório e uma carreira para os bombeiros voluntários com contratos de trabalho nas associações humanitárias; a profunda revisão do estatuto das Equipas de Primeira Intervenção, subvalorizadas pelos decisores; a publicação de um estatuto social do bombeiro, moderno, adequado e realista, onde se deve incluir o apoio a um fundo de proteção social do bombeiro; e, decididamente, reconhecer a autonomia operacional dos bombeiros, criando uma estrutura de comando operacional, autónoma da proteção civil, em equidade com os demais agentes de proteção civil. Sem a concretização destes desideratos e outros, mas muito importantes para o setor dos Bombeiros, como o combate ao subfinanciamento crónico das Associações Humanitárias, implementando contratos programas plurianuais e plurissectoriais, continuamos a definhar e sem capacidade de manter um voluntariado pujante e mobilizado para responder aos novos desafios criados pelas alterações climáticas ou pelas novas realidades societais. Temos de encetar um processo de mudança, modernizando os nossos quartéis, as nossas viaturas, a formação e instrução, respondendo aos novos desafios, com uma Escola Nacional de Bombeiros, para bombeiros, mais pragmática, mais concentrada na missão, menos exposta à imagem, com vários níveis de formação desde o básico até ao ensino superior, criando condições para a resposta a  novos desafios de combate a incêndios, como em viaturas elétricas, em painéis solares, em geradores eleólicos ou na utilização de drones em operações de Bombeiros.

Temos, também, de poder dispor de instrumentos de planeamento e apoio a funcionar em pleno, como o Recenseamento Nacional dos Bombeiros Portugueses (RNBP), o SADO, a transferência atempada do ressarcimento das despesas feitas pelas entidades detentoras dos corpos de bombeiros e a promoção da desburocratização dos processos administrativos, correspondendo a um desafio de gestão completamente diferente por parte da ANEPC.

Em resumo, precisamos, urgentemente, de um processo de mudança e modernização do setor dos Bombeiros de Portugal.

A terminar, uma palavra de referência elogiosa: aos nossos parceiros; aos agentes de proteção civil; aos sócios e beneméritos das Associações Humanitárias; às famílias dos bombeiros e dirigentes associativos; aos órgãos sociais da Liga dos Bombeiros Portugueses e das Federações de Bombeiros; aos autarcas que nos apoiam e que sem a sua participação ativa os corpos de bombeiros estariam numa posição muito mais débil; e à população, pelo carinho, pelo reconhecimento e pelo apoio que dá aos bombeiros. A todos o nosso muito obrigado e reconhecimento.

Neste Dia Nacional do Bombeiro, renovamos a nossa admiração e gratidão a todos vós, Bombeiros de Portugal. Que continuemos a honrar e a respeitar a missão de cada bombeiro, lembrando sempre que, por detrás de cada farda, existe uma história de coragem e dedicação.

Honra e Glória aos bombeiros portugueses.

Vivam os Bombeiros.

Viva Portugal.

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