Em Portugal nunca ninguém tem culpa de nada, é a convicção popular generalizada, mesmo que possa haver exceções. Mas estas, porém, serão francamente tão poucas e tão indistintas que a convicção acaba por prevalecer e afirmar-se pela prática.
O sentido tão português, a que a Proteção Civil não é estranha, de pulverizar cargos, subcargos, comandos e subcomandos continua a pontificar e a privilegiar uma teia burocrática e de custos que tarda em parar, também com resultados de ineficiência e ineficácia.
Não cabe neste texto o rol de situações criadas com base nisso, mas a realidade antevista rapidamente está a mostrar-se à evidência.
Até agora nada resultou do que Liga dos Bombeiros Portugueses bem disse e redisse que por termo a uma estrutura distrital como existiu, mesmo já com excessos evitáveis, e pulverizá-la em mais centros de custos, com despesas escusadas, mais viaturas, mais cargos, mais papéis, mais burocracia e incongruências, decisões erráticas e falta de informação daria no que deu.
O sentido de descentralização defendido por muitos pode ser positivo, mas importa que seja real, funcione, execute e dê resultados. Mas nunca é assim que se faz.
No final quando ficar cada vez mais patente que o que foi feito foi mal feito, pese embora os sucessivos avisos e prejuízos, a certeza é de que ninguém tem ou teve culpa.
