Dirão alguns que, infelizmente, os atrasos nos pagamentos aos bombeiros são crónicos e que já não são novidade. Essa constante tem estado na origem de situações de tesouraria desesperantes para as associações de bombeiros. À parte os valores praticados estarem sistematicamente desfasados da realidade, acrescem os atrasos em relação ao seu pagamento.
As associações de bombeiros dependem de vários apoios, em muitos casos abaixo dos custos dos serviços que praticam, ou sem regularidade nem adequação na sua atualização.
Como resultado de tudo isto está um imbróglio a que faltam nos bombeiros, essencialmente, duas coisas. A primeira, a partir da qual tudo devia ser estruturado, é doutrina. A segunda, um contrato social, um protocolo, um contrato programa com base no qual se estabelecessem direitos, deveres e compensações justas.
Chegar aí implica rebobinar, repensar e reorganizar uma realidade que se tem perpetuado e complicado no tempo. Uma realidade construída com os vários poderes com cumplicidades e acordos de impacto e escalas inadequadas a que os bombeiros, com bonomia ou passividade ou voz insuficientemente audível, se adaptaram.
Hoje, e o futuro, nada podem ter a ver com isso, nomeadamente, a começar pelos atrasos assassinos com que os bombeiros são brindados.
