Vanglória ou vergonha

Na entrega das 10 primeiras viaturas de combate a incêndios florestais e outras, de um conjunto de 81, foi evidenciado que há 12 anos que não se fazia uma entrega desta tipologia de veículos de bombeiros. Essa afirmação foi recebida com alguma estranheza para não dizer estupefação. Será que 12 anos é pouco tempo para mediar entre entregas de novas viaturas? Será que é muito tempo?

Fica-nos ainda a dúvida, em geral, se estamos perante uma atitude de vanglória ou vergonha pela situação.

Onde esteve o Governo de então e a ANEPC nestes últimos 12 anos para que tal só aconteça agora? Quantas viaturas deveriam ter sido, entretanto, substituídas ou abatidas e não foram? Continuamos a viver um défice crónico de meios que, protelando uns na vida útil, protelando a entrada ao serviço de novos só dificulta ainda mais a situação. Estamos, também aqui, perante um défice crónico de meios que não assusta alguns, já que rejubilam por passados 12 anos estarem a ser entregues 10 viaturas.

Do passado fica-nos a boa memória de planos de reequipamento que eram articulados entre o Serviço Nacional de Bombeiros e a Liga dos Bombeiros Portugueses e financiados pelo Orçamento de Estado. Do passado mais recente, findos os planos de reequipamento, fica-nos a memória triste de falta de articulação, decisões casuísticas e arbitrárias do SNBPC, da ANPC e ANEPC já sem o financiamento do Orçamento de Estado e o recurso a fundos comunitários sem a adequação necessária à realidade. E os resultados disso são visíveis. Aliás, não deixa de ser curioso que, por exemplo, mais uma vez, Lisboa não vá receber viaturas, não obstante ser a reserva maciça de socorro para todos os pontos do país.

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