A herança que fica

Sempre que um Governo muda, e mesmo que possa ser continuidade do anterior ou não, há inevitavelmente um cabaz de assuntos que ficam por resolver por motivos até compreensíveis ou, porventura, inverosímeis. Nesta última situação ficam normalmente muitos, ou por que não houve capacidade negocial, ocorreram contratempos vários e, tanta vez, houve um manifesto défice de coragem e decisão políticas.

Podemos dar vários exemplos, mas para melhor ilustração desta abordagem fixemo-nos num: o Regulamento de Fardamentos. Todos sabemos que proliferam pelo universo das associações e dos bombeiros situações de incumprimento do regulamento anterior e, em vigor. Sobre isso não faremos juízos de valor, mas apenas constatar o facto e, inclusive, o alinhamento antecipado com o regulamento que já todos conhecemos, mas que ainda não viu a luz do dia.

Há vários anos que o regulamento dos fardamentos é tema de debate no universo dos bombeiros com o concurso e a participação de várias entidades, algumas delas até com dúvidas sobre o nível de representatividade no universo das associações e bombeiros. De qualquer modo, o regulamento foi sendo construído umas vezes, desconstruído outras, emendado às vezes, rasurado outras, tardando na versão final.

Foram vários os momentos em que foi anunciado a publicação esperada do regulamento e, de seguida abortada por motivos alheios e fúteis, sublinhe-se.

Agora, já não subsiste a dúvida de que a quem esteve faltou-lhe a coragem política para o fazer publicar. Por outro lado, há também quem diga que, mesmo com regulamento ou sem ele, quem queria mudar o fardamento já mudou a seu bel-prazer e venha quem diga que está mal.

 

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