Para os ordenados há sempre

Para alguns a questão poderá ser de somenos importância, mas pesadas todas as suas componentes conclui-se que não.

Nos diferentes processos negociais em que as associações humanitárias de bombeiros se envolvem, e onde estão representadas pela Liga dos Bombeiros Portugueses, estão subjacentes diferentes métodos de gestão e de cultura organizacional. Estes termos, que à primeira vista podem ser entendidos como vagos, à sua maneira traduzem o facto dos bombeiros, com uma cultura própria, com o funcionamento dentro de condicionantes também próprias, estarem a lidar com estruturas muito diferentes das suas.

Estão, nesse caso, as estruturas do Estado, de diferentes ministérios, de diferentes níveis, nacional, regional ou local. Estão também entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos.

O relacionamento pressupõe o conhecimento mútuo, nomeadamente, dos diferentes modelos de funcionamento. Só assim se poderão tirar resultados desse relacionamento. Dele sobressaem, por exemplo, os termos dos protocolos e contratos celebrados para prestação de serviços ou apoios vários, os objetivos dos mesmos em termos qualitativos e quantitativos, as condições de ressarcimento, em valor e em tempo, e outras.

É isso que invariavelmente consta dos papéis, mas que, por circunstâncias várias, não resulta na prática. Daí os atrasos nos pagamentos da ANEPC, do INEM, das ARS, dos Hospitais e de tantos outros.

São atrasos com tendência a ser crónicos, explicados, mas inaceitáveis, não só pelo que configuram de incumprimento dos protocolos e contratos muitas vezes assinados com os bombeiros sem garantia financeira da sua cobertura, mas também pela incidência grave nas contas das associações.

Ora, tudo isto, prende-se com uma atitude e um estado de espírito diferentes da parte de quem negoceia, neste caso do Estado, e as associações.

Cumpram-se ou não os protocolos e acordos, da parte do Estado há sempre uma certeza de que para os ordenados há sempre, mas da parte das associações haverá ou não em função desse cumprimento.

Pode parecer uma forma, digamos primária, de analisar a questão. Contudo, é o cerne da questão. E a atitude mais ou menos displicente para quem os ordenados há sempre.

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