É patente uma operação articulada de branquear o que foi dito de ofensivo e disparatado sobre os bombeiros e os municípios por quem já sabemos, por outros articulistas engajados e até responsáveis governamentais.
A ordem é limpar, limpar, limpar. Há anos era vulgar dizer-se que uma conhecida marca de detergente (o “OMO” passe a publicidade) lavava mais branco e era suposto, inclusive, eliminar todas as nódoas. Porém, pese embora a qualidade do detergente e o seu prometido enorme espectro de eficácia branqueadora, há nódoas que teimam em sair. Acontece, não por defeito do detergente, não pela qualidade ou textura do tecido, mas pelas circunstâncias do aparecimento das próprias nódoas e dos seus causadores.
Por isso, por mais que se esforcem por branquear os disparates iniciais e todos os outros que se sucederam, mais vale assumir pragmaticamente que foram ditos, que não há sintaxe nem ortografia que iluda ou disfarce aquilo que foi dito com todas as letras. Haverá ainda a hipótese de surgirem homunculus opiniadores que partam da segunda linha na tentativa vã de continuar a laudar os mesmos disparates.
Percebe-se o desconforto que a Liga dos Bombeiros Portugueses, dirigentes, comandos, bombeiros têm causado nos círculos políticos próximos do Governo ao não vergarem, não por mera teimosia, mas pela defesa da honorabilidade e respeito que é devido a todo o universo dos bombeiros.
O bom nome dos opinadores, que ninguém põe em causa, e até os seus currículos, não defendem nem protegem de dizer disparates. Os disparates são o que são e é isso que está em causa. E, por mais que, de forma até grotesca e patética, queiram justificar o injustificável só desabona dos próprios.
À primeira vista, o facto de estarmos a viver uma típica “sily season”, apesar da dose de bonomia que isso possa gerar, nem isso pode explicar tanto disparate.
Agora, numa lógica de sobrevivência, como acontece na natureza, assiste-se à tentativa de fazer de morto, na tentativa vã que o tempo vá reduzindo o problema a meros rumores.
Assiste-se ao crepúsculo de deuses de pés de barro que antes nos quiseram enganar com palavras mansas, mas em cujas mãos, afinal, só há adagas, como se prova.
Pretender atingir os bombeiros, comandos e dirigentes cuja honorabilidade, verticalidade e espírito de missão voluntária merece o castigo da indiferença, mas também do “castigo” perante a sociedade. Todos eles, deram décadas do seu tempo, alguns até a própria vida, com prejuízo para a saúde, famílias e profissão. Não se reduz a pó tudo isso com disparates que soam a perfídia, a grotesco, a patético e, porventura a um défice de mimos de infância ou excessos de birra incontida que um bom par de palmadas nos glúteos resolve.
