O pingo de vergonha

Podia dar um filme de intriga, mas de classe B. Uma trama próxima da faca e alguidar não fosse grave, injusto e mentiroso o tema em causa. Falamos das declarações ofensivas do presidente da AGIF na Assembleia da República acerca dos bombeiros e dos municípios.

O título do dito filme poderia ser “O Incendiário” como identificou o ex-deputado socialista e ex-governador civil de Lisboa, António Galamba, e o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio. Este, aliás, refere que “a passagem de Tiago Oliveira pelo Parlamento foi trágica, para o próprio e para a instituição”, sublinhando, a propósito, “que a mera competência técnica não assegura o bom desempenho na gestão de estruturas que envolvem a interação com as dinâmicas da Administração Pública e que exigem a capacidade de diálogo com uma diversidade de contrapartes externas”.

O autarca aponta ao presidente da AGIF “a soberba imprópria para o cargo e com uma ligeireza que põe em causa os atributos que antes lhe reconheci”. Aliás, sendo o conselho diretivo da AGIF um órgão colegial por imperativo legal fica-se sem saber qual é a opinião dos restantes elementos, se subscrevem as declarações do presidente ou se se remetem a um silêncio crítico ou laudatório.

Com o epíteto comum de “Incendiário”, António Galamba lembra que, “em todos os sentidos, o Verão tem tudo para ser quente. Tiago Oliveira, a escolha de António Costa para presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais, foi ao parlamento insultar os bombeiros com a falsidade de “receberem em função da área ardida” e os municípios por gastarem” uma barbaridade de dinheiro nos bombeiros, quando não gastam dinheiro a gerir a floresta”. Tudo isso, defende António Galamba “é mais do que motivo para ir pregar para outra freguesia”.

Tudo isto seria evitável, não fosse o caso de ter sido um momento de falta de bom senso do gestor público e, porventura, uma declaração do seu verdadeiro pensamento e intenções.

Um pingo de vergonha é o mínimo que se exige ao presidente da AGIF. Não é vergonha pedir desculpa, mas o contrário é que é motivo de vergonha. O mesmo se poderá dizer do restante órgão colegial da AGIF, cúmplice por demissão e silêncio lamentável.

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