Rotate

A marcha que se antevê, hoje, nos Bombeiros de Portugal, é comparável aos procedimentos com que um qualquer avião se faz às nuvens. O avião avança para a pista onde pretende descolar seguindo o protocolo estabelecido. Parte do fim da pista com autorização da torre de controlo. Quando atinge os 80 nós de velocidade, um breve e último check-list, (V1) atinge a velocidade de decisão para a descolagem e depois a ordem para levantar (V2) “Rotate”, com uma subida positiva.

Ora, os Bombeiros, se comparados ao avião, cumpriram os seus próprios procedimentos, analisaram todos os aspetos a considerar e fazem-se a uma nova era, a novos desafios e novos voos.

Os Bombeiros tomam nas suas mãos o seu destino, mas antes, ou a par disso, querem saber, insistentemente, o que querem deles. As coisas são como são. De uma vez por todas, não vale a pena, ensaiarem-se discursos positivos e mobilizadores para eles e, depois, definirem-se cenários em que os pretendem subalternizar ou reduzir.

Os Bombeiros não querem ser mais ou menos que ninguém. Querem ser eles, genuínos, de coração aberto, sem reservas. E exigem obviamente ser correspondidos sem o cinismo e a hipocrisia muitas vezes aplicadas na comunicação com eles. Assiste-lhes uma superioridade moral de que ninguém pode ou deve duvidar. Merecem respeito e consideração pelo que fazem.

Merecem ser tratados como tal e, pelo respeito que têm por si próprios e pelas populações que servem, não está nos seus desígnios disputar seja com quem for, nomeadamente, com os outros agentes da proteção civil, ao contrário daquilo a que assistem amiudadas vezes.

O “despertar” das conclusões dos técnicos australianos que estiveram em Portugal no final do ano passado permite-nos dizer, mais uma vez, que há quem fique confortado em ouvir aquilo que já sabemos e que outros, no caso estrangeiros, nos vêm repetir, nomeadamente, os oito pontos chave que limitam a eficiência e a eficácia no combate aos incêndios florestais. Há quem goste de ouvir os estrangeiros, porém, falar do que não sabem sobre Portugal.

Os australianos saberão bem para eles, não duvidamos, mas o que pensam e fazem nada tem a ver com a nossa realidade. Passaram por cá o ano passado e deixaram dito aquilo que alguns gostam de ouvir e que está na génese de uma tese que defende o afastamento dos bombeiros. Dizem-no de outro modo, mas, na prática, é aí que pretendem chegar.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, aliás, veio lembrar que incorporar experiências estrangeiras no combate aos fogos é uma deriva perigosa.

A postura e a marcha dos Bombeiros de Portugal em curso são claras. A História, e a dos Bombeiros em particular, ensina-nos muita coisa. Saibamos estar atentos para a ouvir e perceber que eles decidiram “Rotate”.

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