Para conhecer a fundo uma associação humanitária de bombeiros voluntários, e tenha-se em conta que não há duas precisamente iguais, é preciso conhecer o setor nas mais diversas componentes.
O que se quer muitas vezes demonstrar através de uma folha de Excel, só por si, não demonstra o que é uma associação nem explica tudo o que se passa nela.
Não é a primeira vez que se fala em fusões, associações de associações. É um tema da ribalta sempre que as dificuldades sentidas colidem com a opinião oficial, aligeirada, de que haverá muitas associações e os recursos serão poucos. É uma opinião como tantas outras, mas, por via de regra, mal fundamentada e até abusiva. Senão vejamos.
As associações nasceram das bases, das comunidades, e em última instância cabe a elas a capacidade e autoridade para decidir sobre os destinos da instituição, e a mais ninguém.
No início, as associações, ou bastavam-se a si próprias, dependiam das quotas dos associados e das dádivas dos benfeitores e amigos. Viviam num círculo local que, mal ou bem, ía garantindo, já então, as responsabilidades do Estado. E foi este que, a dada altura, veio pedir para fazerem mais, abarcarem outros serviços e missões, e para as quais as iria ressarcir.
A lógica dessa parceria foi-se prolongando e alargando sem que, diga-se em abono da verdade, alguma vez, o financiamento tenha sido adequado e o ressarcimento dele ou de despesas extras atempado. Por via de regra, as associações têm que suportar as despesas e só depois são compensadas delas, nem sempre na totalidade.
Este estado de coisas tem-se perpetuado décadas e as alterações que foram sendo feitas, nas regras de financiamento, basearam-se sempre num modelo que rapidamente ficou obsoleto e hoje completamente ultrapassado.
Quer-nos parecer que o alvitre, mesmo que subliminar, de que haverá associações a mais (o que isso queira dizer?!) vindo de entidades e responsáveis oficiais, no fundo, permite concluir que quem pediu mais e continua a pedir depois quer agora dar menos.
Várias questões se põem sobre essa questão. Em termos ancestrais foram as comunidades que criaram as associações. Algumas dessas comunidades alguma vez expressaram a vontade de extinguir alguma associação? Há associações a mais? Em que se baseiam os que opinam nesse sentido?
Tendo em conta que as opiniões expressas são do universo nacional será que quem nas últimas décadas homologou a criação de mais associações teve a noção e o alcance do que estava a decidir? E, nomeadamente, nos casos em que foram as próprias entidades oficiais a incentivar a criação de novas associações? Será que se esqueceram disso? E dos eventuais reflexos que isso, já então, possa ter tido na estabilidade das restantes e próximas associações?
