Para os Bombeiros, há muito que o Verão não se prepara no Inverno nem o contrário da história da cigarra e da formiga, de preparar o Inverno no Verão.
Pese embora opiniões que insistem na primeira versão, na realidade, nos Bombeiros já não é assim, mesmo que ainda se queira fazer crer nisso.
À partida, há duas razões para isso. Primeira razão, o ressarcimento tardio às associações e corpos de bombeiros das despesas do Verão que nem sempre, quase sempre direi, não permite a reposição célere de meios e viaturas danificadas. Segunda razão, a atividade intensa e permanente na quase totalidade das associações e corpos de bombeiros que não permite distinguir estações do ano nem dispor de quaisquer pausas temporais.
As próprias alterações climáticas ajudam à festa, obrigando a anular qualquer perspetiva de sazonalidade de ocupação dos meios e equipamentos. Os registos de ocorrências ajudam a compreender tudo isto.
Longe da dita ideia da preparação do Verão no Inverno, a principal preocupação, de acordo com a realidade, deverá prevalecer a de dispor todo o ano dos recursos necessários para intensidade e permanência da atividade, muito para além do combate aos fogos florestais.
Os bombeiros precisam de mais apoios, proporcionais à realidade e às necessidades e, de uma vez por todas, colocar-se de lado a ideia de que os apoios do DECIR só devem prevalecer no Verão, mas sim todo o ano independentemente das EIP.
A proporcionalidade e permanência dos apoios iria permitir considerar e corresponder aos custos, não só do DECIR, mas também, e nalguns casos por maioria de razão, do socorro urbano, rodoviário, industrial, litoral, aquático, em estruturas colapsadas ou de grande ângulo.
Se alguém ainda diz que o Verão se prepara no Inverno, ao invés, deverá passar a dizer que em qualquer estação do ano se prepara as restantes e em simultâneo.
Os Bombeiros mudaram, e muito, e quem teimar em manter uma perspetiva ultrapassada deles só irá acentuar as divergências de opiniões e pontos de vista relativamente à realidade.
Pensar Bombeiros, é o tema central do XXII Congresso Extraordinário da Liga dos Bombeiros Portugueses que decorre no próximo fim de semana em Gondomar.
Na base dele estará a exigência por parte dos Bombeiros de refutar e combater quaisquer derivas que outros queiram fazer da sua missão principal, do seu papel fundamental na sociedade e da sua cultura de defesa dos cidadãos acima de tudo.
A dialética de falsas promessas, de enunciar problemas com promessas fátuas de soluções futuras tem que acabar.
