Um homem não pode responder por um sistema falhado

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) questiona, no caso do incêndio de Pedrogão de 2017, e na lógica da mais simples honestidade intelectual, se “será possível atribuir a um homem as responsabilidades de um sistema que falhou redondamente”. Para a LBP, “esta é a questão base e de princípio, que a leva a defender que se apure tudo o que se passou, à luz da realidade, e não segundo o que alguns dizem ou fazem crer que aconteceu”.

No Tribunal ficou dito claramente que o comandante Arnaut “não podia ter feito mais”, e que “perante a situação que estava a enfrentar não tinha os meios necessários que havia solicitado e que não lhe tinham sido facultados”.

A LBP, longe de querer gerar ou fomentar polémica, apenas pretende que se faça Justiça. Aliás, na sequência da petição solidária para com o comandante Arnaut e da decisão do Conselho Nacional Operacional da LBP que se irá fazer representar no Tribunal no próximo dia 31 de maio, “garantindo a presença sempre como solidariedade e nunca como manifestação”.

A LBP renova também a convicção de que, caso já estivesse instalado o Comando Nacional de Bombeiros, nem o Comandante Arnaut estaria na situação em que está, nem o próprio Comando deixaria de assumir as suas responsabilidades e chamar a Proteção Civil a assumir as suas, de que agora se tem alheado. Se dúvidas pudessem existir, sobre a indispensabilidade da devolução aos bombeiros do seu comando operacional, a situação em apreço é suficiente clara e concisa para justificar tal reivindicação.

A LBP está, desde o primeiro momento, solidária com o comandante Augusto Arnaut e família, pelos impactos a todos os níveis que a situação acarreta, levando certamente muitos outros comandantes a interrogarem-se se vale a pena prosseguir caso nada mude, concretamente, se o Comando Nacional não foi instituído rapidamente.

O Estado ausentou-se da defesa de um daqueles que sempre deram o melhor na defesa dos cidadãos. Lamenta-se profundamente tal atitude e os relatórios produzidos que foram considerados para todo este processo. Fica claro que, pese embora tudo aquilo que outros possam dizer, de facto a Proteção Civil não funciona nem funcionou. E, como não existe nem funciona nos moldes em que devia, entendeu-se fazer de um comandante de bombeiros, integro e lúcido, o bode expiatório.

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