Se bem sabemos, arregaçar as mangas é uma postura tradicional dos bombeiros, nos mais diversos sentidos da expressão. Essa tem sido, aliás, mesmo que em sentido figurado, também a posição perante os problemas que assolam as associações e corpos de bombeiros.
As situações têm-se apresentado em catadupa, com diferentes caraterísticas e abrangências, mas habitualmente a exigir medidas e respostas prontas, claras e urgentes. Tem sido sempre assim, em cada época, em cada ciclo de vida, das instituições e das pessoas que as fazem e constroem.
Facilmente encontrarão, em cada período histórico das associações, testemunhos sobre os momentos mais ou menos difíceis vividos, seja de causas internas ou externas ou das duas.
A questão do voluntariado é uma peça basilar das nossas associações que, pese embora o esforço e a bondade do nosso empenho, não tem conseguido adaptar-se e evoluir em função dos tempos. Ser voluntário nos bombeiros há anos não é a mesma coisa que hoje. Diz-se que o voluntariado está em crise e, porventura com razão, se não conseguirmos dar-lhe uma expressão moderna adaptada à realidade dos dias de hoje e não na lógica do passado, meritória, sem dúvida, mas ultrapassada no tempo.
Todos nós, cidadãos, sofremos das mudanças ditadas pelo desenvolvimento tecnológico, pela economia e pela evolução social. Todos o confirmamos, cientes de que nalguns casos vamos por impulsão e poucas convicções, outras vezes cientes de que a mudança é o caminho, pese embora todos os obstáculos e dificuldades que ela possa acarretar.
Estranho seria que, ao abordarmos o tema voluntariado, não aceitássemos e não agíssemos também numa lógica de mudança. São várias as tentativas, algumas falhadas e outras nem tanto, de abordar o tema com uma bateria de benefícios de vária ordem que possam servir de atrativo a novos elementos. Porventura, tem-nos faltado, mesmo assim, a sustentabilidade e a criatividade para garantir e fomentar a atratividade do voluntariado.
Nesta matéria, sem dúvida, temos de arregaçar as mangas com a determinação, mas também a imaginação que o momento recomenda, e até exige de todos.

