Menos serviços e mais despesa

No período do COVID, por razões amplamente conhecidas, o número de serviços de transporte de doentes não urgentes prestados pelos bombeiros diminuiu, mas, a par disso, estranhamente, a despesa do Ministério da Saúde nesse domínio até subiu.

O Sistema de Gestão de Transporte de Doentes (SGTD) tem 15 anos de vida e, passado esse tempo, continuam a ocorrer nele os mesmos erros e a perpetuarem-se os mesmos problemas. A certeza que fica é que quando os Bombeiros falam, até os ouvem, mas não são verdadeiramente escutados, seja a nível do Governo, da própria direção executiva do SNS e até das ULS.

O SGTD permanece com sombras e nebulosas por desvanecer. Uma das questões por esclarecer, na certeza de que um dia alguém vai explicar, é por que razão andam cada vez mais entidades com sede a centenas de quilómetros das residências dos utentes a prestar o serviço quando as entidades locais ou de maior proximidade não são solicitadas para o efeito, ainda que fique demonstrada a sua capacidade e disponibilidade para o fazer. E, quando essa indisponibilidade ocorre ocasionalmente não se cuida de encontrar uma solução que seja racional em termos sociais e económicos.

As queixas das associações acumulam-se por todo o país enquanto os sobrecustos para o SNS estão patentes.

Não é por acaso que a Liga dos Bombeiros Portugueses deseja ser ouvida pela Comissão de Combate à Fraude no SNS, na defesa dos utentes e das associações que os servem.

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