Uma conclusão romântica

Uma investigação recente que incluiu polícias e bombeiros concluiu que o orgulho e o sentido de pertença à profissão levam-nos a resistir melhor às exigências do seu trabalho. Esse orgulho, aliás, é identificado como protetor do desgaste emocional.

Esta abordagem tradicional constitui uma verdadeira “ratoeira” de que uns e outros têm sido vítimas. No caso dos bombeiros, tempo perdido, dinheiro perdido, saúde e até vidas perdidas têm marcado o seu percurso voluntário e/ou profissional em circunstâncias nem sempre fáceis que, em abono da verdade, só muita dedicação, esforço e até orgulho, têm conseguido vencer.

Essa leitura laudatória da missão do bombeiro é importante para enaltecer tudo o que faz e em prol de quem faz. Mas, em boa verdade, tem servido também para desvalorizar e até esquecer a falta dos meios de que precisam para cumprir a missão. São tão bons, tão prestáveis, tão competentes que se bastam com pouco. Essa conclusão falaciosa e utilitária de quem os devia apoiar e não o faz devidamente tem-se perpetuado na sociedade e da parte do próprio Estado.

Sobre este domínio importa que se faça uma ampla viragem de 360 graus. Isso quer dizer que as associações e os seus bombeiros devem ser ressarcidos na justa medida dos serviços que prestam. Quer dizer que subsídios avulsos e apoios de circunstância devem ter um fim. Quer dizer que os profissionais das associações devem ser devidamente compensados. Quer dizer, também, que a proteção dos bombeiros, pese embora a sua abnegação e orgulho na missão, deve ser garantida através de seguros mais abrangentes e mais eficazes.

Todos estes temas estão a ser objeto de diálogo, que se defende urgente, entre a Liga dos Bombeiros Portugueses e o Governo. Faça-se para que uma mera conclusão romântica no fim signifique resultados concretos e palpáveis.

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