As caraterísticas e as circunstâncias dos fogos que têm assolado o sul da Europa e, inclusive Portugal, indiciam uma escala assumida nos últimos anos, que tudo faz crer ir repetir-se no futuro.
As tão faladas alterações climáticas a somar ao que se fez ou não fez para tentar evitar os fogos estão na origem de tudo isso. E os sucessivos alertas dos especialistas e dos bombeiros, neste caso com as experiências colhidas agora no terreno e que distingue do passado, permitem perceber que deixa de haver “épocas” boas ou más, para concluir que todas elas, à partida, passam a constituir sempre um risco acrescido.
O alerta recente repetido pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses para essa inevitabilidade leva a considerar mudanças urgentes e profundas na abordagem do fogo com novas estratégias, novas ferramentas e novas atuações operacionais.
Importa acordar para essa realidade. Quanto mais tarde for feito maiores serão as eventuais consequências, desde logo para os bombeiros, para as populações e para o próprio meio ambiente.
A solução apontada é prevenir, prevenir e prevenir. Não se trata de mera sugestão ou recomendação, mas de uma imposição. Tentar repetir o passado é, desde logo, uma intenção vencida. Nada será como dantes, como se tem provado. Insistir nas soluções do passado é mergulhar no abismo e no falhanço garantido.
Acordemos então para a mudança, a verdadeira, e passemos de o chavão prevenir para a realidade e para tudo o que ela arrasta.
