Permitiu-se a privatização do transporte de doentes em Portugal, alvitra-se, com muita polémica à mistura, a possibilidade da privatização do pré-hospitalar e, vendo bem as coisas, só falta também privatizar o socorro em geral. Disparate, é certo, mas de que se vai falando.
Tudo isto são desmandos, abusos da confiança dos bombeiros e das suas associações e com decisões mal tomadas, de forma leviana, por quem esteve mal no seu papel e consciente ou inconscientemente lesou os bombeiros e os portugueses, em geral.
Depois de tudo isso, e mais o que se anuncia cândida e inconscientemente, só há um caminho a seguir: voltar às origens, ou seja, repensar a oportunidade da missão dos bombeiros, repensar a sua existência à escala local, repensar a sua disponibilidade à escala distrital e nacional. Todas essas escalas e respetivas consequências têm sido exploradas pelo Estado de forma abusiva, nomeadamente, sem as devidas e merecidas compensações pelos meios humanos e materiais postos ao serviço do país pelas associações.
Voltar às origens não será naturalmente recriar as reuniões de homens bons e generosos que há muitas décadas, sem recursos, mas com muita vontade, deram origem às nossas associações. Essa é uma memória que não podemos perder, pelo seu valor intrínseco, e cujo registo marca esse preciso momento histórico. Voltar agora às origens, hoje, também não é privatizar o socorro como alguns agora apontam. Voltar às origens é saber, primeiro, rever claramente o modelo de gestão das associações, das suas fontes de financiamento e, segundo, garantir um contrato programa de cada uma com o Estado e as autarquias. Há meios, assim haja vontade séria para isso.
Privatizar o socorro, como alguns simplisticamente apontam, é que não.
