Para uns, porventura, estamos num impasse, para outros estamos à beira da mudança que se espera há muito.
Como diz a publicidade que caracteriza “um banco nacional com sotaque local”, podemos associar também esse dito ao universo dos bombeiros, como uma força nacional com sotaque local. Assim se caracteriza bem um universo único em Portugal, multifacetado pela origem e raízes locais e uniformizado pela escala confederada na Liga dos Bombeiros Portugueses.
A evolução dos bombeiros e das suas associações tem sido marcada ora pela sua complacência, ora por protestos salpicados no tempo. Isso tem a ver com os sucessivos pedidos que se têm repetido em décadas de deslocação solidária de meios para fora de zona, do distrito e até região para combate a incêndios florestais. Isso, no pressuposto que nos concelhos de origem ficam acauteladas as necessidades com meios supostamente considerados” excedentários”. E essa lógica, como bem sabemos, tem-se eternizado.
As regras que formalizam essa mobilidade tornaram-se rotina particularmente vantajosa para o Estado. E a cada DECIR, a respetiva DON repete essas regras, é certo que com algumas atualizações, mas sem alterações de fundo, e que fogem cada vez a uma lógica que se deseja para muito breve designada por tipificação. Essa mudança deverá libertar os bombeiros do “sequestro” a que têm estado sujeitos.
Ao nível dos bombeiros e no domínio da mobilidade e deslocação de meios humanos por conta dos incêndios florestais, a tipificação, se verdadeira, irá ditar outras regras e procedimentos. Apesar de apregoada, a tipificação, em abono da verdade, não deverá ser beneficiária da atual mobilidade patrocinada pelo Estado. Por seu turno, ainda a ser verdade, será uma oportunidade para corrigir desvios e erros passados segundo parâmetros definidos e restaurados a partir da escala local de cada associação e corpo de bombeiros.
É, aliás, com base na tipificação que deverá ser estabelecido o contrato programa com cada associação, indexado aos custos reais, os riscos territoriais, as populações abrangidas, as áreas de atuação e a identificação da atividade operacional.
A tipificação, a ser verdade, e tendo em conta esses parâmetros, como irá abranger a partir daí os meios que até agora concorrem, por exemplo, para o esforço fora de zona, distrito e região no combate aos incêndios florestais?
Grande expectativa sobre o que virá a seguir. Desejamos que seja afirmativo, depois de tudo acordado, mas por ora é apenas interrogativo e sem saber por quanto tempo.
