A indiferença seletiva mata

Entre postas nos píncaros quando dá jeito e esquecidas de seguida, as associações e os seus bombeiros têm trilhado caminhos difíceis, particularmente, nas últimas décadas. A sua sustentabilidade tem navegado por mares alterosos, por razões que estão há muito identificadas, mas que tardam em ser resolvidas, pelas suas próprias características e também pelos montantes em défice que não param de subir.

Os bombeiros continuam a prestar serviços valorizados em termos de resultados, mas mais que subavaliados em termos compensatórios.

É comum dizer-se que dão palmadinhas nas costas dos bombeiros para que eles sintam o seu ego recompensado, mas deixam os seus problemas por resolver.

Alguns de nós passámos 10, 20, 30 ou mais anos na tentativa de subverter o esquema de nos quererem manter num ciclo permanente de pobreza e dependente das migalhas que aqui e ali vão caindo da mesa. Os únicos resultados positivos são mérito dos apoios alcançados em termos locais, quer particulares, quer autárquicos. Do Estado pouco ou nada há a reportar.

A par disso, pedem cada vez mais aos bombeiros, para que socorram fora de zona e, muitas vezes a centenas de quilómetros de casa, empregando meios extras que em circunstâncias habituais teriam outro caminho. Esses pedidos, porém, não constituiriam qualquer problema caso fossem acompanhados do ressarcimento efetivo pelo trabalho desempenhado, o que não acontece.

O que se conclui daí é que, em linguagem comum, os bombeiros e as suas associações andam sempre atrás do prejuízo, sem fôlego e quantas vezes também a reboque dos avales dados pelos seus dirigentes. Trata-se de hipocritamente elogiá-las, mas com uma indiferença seletiva quanto aos custos e aos apoios, que vai acabar por matá-las.

 

 

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