Dialogar não significa diluir ou absorver. Todos concordaremos, à partida, com essa afirmação. Contudo, não obstante, ser um princípio assumido à muito, na verdade, nem sempre tem sido assim, ou melhor, habitualmente não tem sido assim.
Há razões de sobra para explicar, não para justificar, a muito debatida transição do SNB para SNBPC, SNPC e ANEPC. Não se tratou apenas da mudança de siglas, mas verdadeiramente de cultura organizacional diferente que a Liga dos Bombeiros Portugueses vem contestando há anos. Ao contrário de alguns, não se trata de qualquer reivindicação corporativa, mas tão somente de adequar a estrutura e competências à realidade, à escala quantitativa e qualitativa da situação.
Em recente intervenção em Turim, a propósito do diálogo inter-religioso, o Capelão Nacional dos Bombeiros Portugueses, Cardeal Américo Aguiar, lembrou que “dialogar não significa diluir a própria identidade”. E acrescentou ainda que “não significa dizer que tudo é igual”.
Ao diálogo a que forçosamente estamos todos votados, parceiros, no seio da Proteção Civil, importa que se cumpram precisamente esses princípios. E que de uma vez por todas se ponha cobro a tentativas repetidas de fusões ou submissões, para que conste e se calem as vozes do costume. Dialogar não significa absorver.
