A culpa não é da ventoinha

Em linguagem comum, é comum, repita-se, atribuir-se culpas ao mensageiro por qualquer nova funesta. Na história dos países e das instituições há bons e muitos exemplos disso, que fazem com que, de uma maneira ou de outra, se tente ou mesmo consiga colar uma coisa à outra.

Dirão uns que o problema está na forma e nas condições como o mensageiro dá a novidade, reforçando o facto de ser alheio a ela ou, ao contrário, assumindo-a também como sua.

Façamos a transposição da história para a ventoinha, equipamento tantas vezes utilizado por boas razões e, se quisermos, em linguagem figurada também por más razões.

A imagem, literal, da ventoinha associa-se habitualmente a ambiente fresco e perfumado, agradável e desanuviado que inunda a habitação onde nos encontramos.

Em sentido figurado, a ventoinha associa-se a inconstância, a catavento, a volubilidade, a expansão de atitudes e posições contraditórias. Pior, quando a essa imagem figurada do uso da ventoinha se junta a proximidade de lama ou qualquer substância fétida que conspurca o ambiente a imagem pretendida agrava-se

Ora, as relações entre os Bombeiros e o Estado têm sido marcadas pela presença, ora literal, ora figurada, da ventoinha com uma linguagem e um discurso que a aproxima porventura das boas e más razões.

Hoje, seja a que nível do Estado for, quando alguém se senta à frente dos Bombeiros tem que forçosamente ter alguma coisa séria para lhes dizer e prometer. Os prazos escaldam e o recurso à ventoinha periga.

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