“Irmãs e irmãos Bombeiros de Portugal,
Ao chegarmos ao tempo de Advento e ao celebrar do Natal, a nossa memória e o nosso coração voltam-se para cada uma e cada um de vós que, em todos os cantos do país, vive a nobre missão de proteger vidas, bens e comunidades. Enquanto tantas famílias se reúnem em torno da mesa e da luz que brota do presépio, vós estais muitas vezes na estrada, no quartel ou no terreno, atentos ao grito de quem precisa.
O Advento é o tempo que nos ensina a esperar com confiança e a escutar com atenção. E como não reconhecer em vós esta vigilância permanente que salva? Sois presença discreta, mas indispensável; sois a mão estendida antes que o pedido chegue, sois o consolo que aparece quando o medo já tomou conta. O vosso serviço faz ecoar silenciosamente o Evangelho: «A luz brilha nas trevas, e as trevas não a venceram» (Jo 1,5). É isso que sois: luz em tantas noites sombrias do nosso país.
Neste ano, porém, esta luz traz consigo uma dor que partilhamos convosco. Desde o último Natal o Daniel e o Dinis, bombeiros portugueses, tombaram em serviço. Trouxeram ao extremo a verdade daquela palavra de Jesus: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13). Recordo-os com comovida gratidão. Às suas famílias, companheiros de quartel e comunidades locais, abraço-vos com a certeza de que não caminhareis sozinhos. A memória destes irmãos permanecerá como chama viva que continua a iluminar a grande família dos Bombeiros de Portugal.
Enquanto Capelão Nacional, quero dizer-vos com sinceridade de irmão: Portugal precisa de vós. Precisa do vosso profissionalismo, da vossa coragem serena, da vossa humanidade que tantas vezes é o primeiro remédio para quem sofre. E todos os dias, diante de Deus, levo-vos comigo: peço-lhe que vos dê prudência, sabedoria e força; que vos proteja nos momentos de maior risco e vos conceda descanso quando o coração pede alívio.
Desejo que este Natal vos ofereça, mesmo no meio dos turnos e das chamadas inesperadas, um momento de paz verdadeira: o sorriso de quem vos espera em casa, o abraço que vos reconcilia com a vida, a certeza de que o vosso serviço é precioso e reconhecido. Que a luz de Belém encontre espaço nos vossos lares e nos vossos corações.
Confio-vos à intercessão maternal de Maria, Mãe da Esperança — aquela que nunca abandona quem serve com amor. Que São Marçal vos acompanhe e guarde em cada missão, no fogo e na água, na estrada e no silêncio do quartel.”
Com amizade, estima e bênção,
Cardeal Américo Aguiar

